segunda-feira, 3 de maio de 2010

Salas de aula, trabalho e vontade de aprender

Nestas minhas visitas pelas Escolas há algo que é muito contrastante com o ambiente depressivo de crise que se ouve nos noticiários dos vários canais de televisão: em todas das salas de aula em que tenho entrado reina uma vontade de aprender e de conhecer coisas novas, uma enorme vontade de fazer bem feito, no meio de boa disposição e alegria. Só assim se consegue aprender com gosto e satisfação. Ainda a semana passada comecei por entrar numa sala de aula, de uma turma que tem alunos do 1º e do 4º ano, alunos e professora planificavam a semana com base na sua agenda semanal habitual, avaliaram e distribuíram tarefas. Alguns dos alunos vieram agradecer os meus comentários no blog, dizer que tinham ficado muito contentes quando a professora lhos leu. Numa outra turma as mesas estavam reunidas no centro da sala, todos os alunos estavam sentados à volta e tudo estava preparado para começarem as planeadas experiência com água sobre a flutuação de objectos. Cada um tinha a sua folha de registo onde podiam registar a sua previsão do que iria acontecer com cada um dos objectos, o que realmente tinha acontecido e a conclusão. Todos iam registando o que observavam e estavam curiosos em perceber o que acontecia: seria o peso dos objectos que os faria flutuar ou afundar? ...falámos dos grande barcos cargueiros em metal e até falámos no Arquimedes. A curiosidade ficou aguçada para as investigações dos alunos com a professora prosseguirem. Esta era uma turma de 2º ano de escolaridade.
Passei depois a uma turma de 1º ano de escolaridade. Quando entrei na sala de aula os alunos e a professora falavam sobre a dezena e contagens. Estavam a começar a fazer os exercícios do livro de Matemática e claro que fui logo mobilizada para ajudar também a resolver os exercícios: todos queriam resolver os exercícios e ter a certeza que os estavam a resolver da melhor forma.
Fui depois a uma turma do 2º ano. Estavam a acabar de ler o livro "Coração de Mãe" (a professora tinha o computador dela ligado e projectava o livro com o projector de vídeo no écrã) e a começar a organizar o presente para o Dia da Mãe: pintar um vaso e escrever um cartão. Aos que não estavam envolvidos nessas actividades foi pedido que escrevessem e fizessem um desenho sobre uma situação que tivessem vivido com a sua mãe escolhendo como uma das do livro. Todos estavam envolvidos em trabalho, embora fazendo coisas ligeiramente diferentes.

Em todas as salas se respirava trabalho e vontade de aprender. Um consolo ver como funcionam as nossas escolas e o empenho de todos, alunos e professores.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Fábula dos Feijões Cinzentos

Uma metáfora muito interessante e actual sobre o 25 de Abril:

No que dá uma surpresa ... :-)

Ontem estive numa outra sala de aula, de uma professora e de uns meninos que já se tornaram meus amigos. Tinha-lhes prometido que da próxima vez que lá fosse lhes levava uma surpresa. E assim fiz. Procurei um livro digital que os pudesse entusiasmar.

Esta foi a minha segunda opção, porque em primeiro lugar pensei que seria interessante levar-lhe algo sobre o 25 de Abril, mas pus-me a pensar no que tinha sido o 25 de Abril para mim, (há quantos anos já?) e nos difíceis tempos que estamos a viver... Lembrei-me de como muitos daquelas famílias vivem com tantas dificuldades, sem emprego, sem dinheiro para conseguirem alimentar-se convenientemente todos os dias, 12 pessoas a viverem a 2 assoalhadas, ... e tudo o mais que isso significa. Como falar da tortura a crianças que vivem sózinhas na rua e cujas famílias vivem num quotidiano completamente inóspito, à procura de trabalho e pão? ... e a liberdade de associação? ... quando, em muitos trabalhos, quando existem, quase que em regime de escravatura, ou se aceitam as condições dadas, ou nem esse rendimento entra para o orçamento familiar? ... Na 2ª feira tinha lido o artigo de opinião do Francisco Sarsfield Cabral no PÚBLICO - http://abeirario.blogspot.com/2010/04/bomba-relogio-do-capitalismo-francisco.html. Hoje acabei de ler a reportagem da Visão da semana passada sobre os «Retratos da Fome em Portugal» - http://aeiou.visao.pt/retratos-da-fome-em-portugal=f555211 ... e saltaram-me logo à memória as minhas questões de ontem: como falar da liberdade de expressão, da tortura, da guerra colonial, da liberdade de associação num cenário como o que vivemos actualmente? ... Ficam as minhas questões ...e começo a pensar que temos que voltar a falar de todas estas questões, mas de uma outra forma ... mas de que forma?

Fecho este parênteses, para dizer que não tendo muito tempo para me preparar, acabei por decidir levar-lhes uma história que encontrei no blog «Letra Pequena» - http://letrapequenaonline.blogspot.com/ - «A Charada da Bicharada», de Alice Vieira, ilustrado pela Madalena Matoso (Ed. Texto Editores). No entanto, antes de lhes mostrar a prometida surpresa, e como a minha amiga tem vindo a colocar os textos e as fotos no blog a partir de casa (não tem computador na sala de aula e muito menos ligação à Internet), ela pediu-me para lhes mostrar o blog da Escola. Foi por proposta dela que ele foi construído e que outras turmas têm estado a participar no mesmo de forma muito entusiástica. Não se pode imaginar o entusiasmo dos seus alunos e a vontade generalizada de ler em voz alta, para todos ouvirmos, um bocadinho do que lá estava. Claro que foi preciso dar a volta à turma para que cada um pudesse mostrar como já conseguia ler um pedacinho do blog. Houve direito a palmas e parabéns para todos os leitores. Outra festa aconteceu também ao encontrarem as fotos e uma apresentação lá colocada pela professora, com os trabalhos deles, e que eles ainda ainda não tinham visto.

Só depois pudemos passar à esperada "surpresa": ouvir a história d'«A charada da bicharad» - http://static.publico.clix.pt/fotogalerias/letrapequena/acharadadabicharada.aspx. Uma espécie de adivinhas sobre animais, de que os textos não falam, nem se conseguem descortinar, à primeira, nas alegres e fantásticas ilustrações da Madalena Matoso - http://www.slideshare.net/mrvpimenta/publica-madalena-matoso-presentation. Ouvimos uma vez: «Não percebi nada!» «Então vamos ouvir outra vez, um de cada vez!» E logo havia alguém mais perspicaz que depressa descobria de que bicho se estava a falar: ou pelo desenho, ou pelo que se ouvia da Alice Vieira.

A minha amiga teve a ideia de lhes pedir para fazerem desenhos com bichos escondidos, como os do livro, e pediu-lhes também para escreverem um pequeno texto, inspirado nas ideias da escrita criativa que ouvira no Sábado anterior: «Gostava de ser ...[um animal à escolha] ..., para ...»

Tal como acontece com o que se passa à nossa volta, quase nada se consegue logo perceber à primeira ... acontecimentos, pessoas ... muitas vezes nem nós próprios nos conseguimos perceber logo a nós próprios ...

... não será o mesmo com o 25 de Abril? ... com o que ainda falta cumprir desse sonho, dessa esperança? ... e tanto que há ainda por cumprir!! ...

[Actualizado a 25/04/2010]

terça-feira, 20 de abril de 2010

«O Pássaro da Alma»

Entrei numa sala de aula ao som de uma suave música que saía tranquilamente da aparelhagem enquanto as crianças, sem grande excitação, saiam para 15 minutos de recreio num pátio aquecido pelo morno sol de Primavera.

A professora, minha amiga, saúda-me e diz-me, como que desculpando-se, que não tinha preparado nada de especial para a minha visita e que os seus alunos iam ler a história do «Pássaro da Alma» para as turmas do 1º ano da Escola. Foi ao que assisti. Foi uma actividade muito especial. Quer pelos alunos mais velhos a lerem para os mais novos, por darem um novo sentido à leitura em voz alta, por quererem partilhar uma história deste tipo com todas as turmas da Escola.

Esta história passou hoje a ter para mim um significado diferente. No nosso corpo, bem lá no fundo vive um pássaro, o pássaro da alma. Um pássaro a quem muitas vezes não damos ouvidos, nem escutamos como devíamos. Ele canta de acordo com o que sentimos no momento, alegrias, tristezas, medos, ansiedades, felicidades, silêncios, ... tudo o que nos vai na alma. Muitas vezes não o conseguimos controlar ou saber como vai cantar, umas vezes o seu canto é alegre e feliz. Outras vezes é um canto enamorado e amoroso, outras é um canto de revolta e raiva, mas outras pode também ser um canto de tristeza, amargura ou desespero.

Mas quantas vezes não temos disponibilidade para o ouvir, para lhe dar a voz que ele merece e que nós precisamos. Quantas vezes, nesta sociedade da objectividade e do concreto em que vivemos, temos medo que ele nos atrapalhe. Outras vezes sufocamos-lhe o canto, que ele vai guardando para si e, quando menos esperamos, num repente, num abrir e fechar de olhos, ele faz-se ouvir impulsiva e despropositadamente. Como se os segredos que durante longos anos estiveram abafados e escondidos, bem como todos os sentimentos a eles associados, saltassem de uma caixa mágica, tipo caixa de pandora, surpreendendo o próprio e todos os que estão à sua volta, assustando tudo e todos.

Temos um pássaro na alma para lhe ouvirmos o seu canto. E que bonito é esse canto, se o ouvirmos, seja ele alegre ou triste, feliz ou inquieto, ...


Movie Maker - Instruções

Este é um link para um tutorial para aprender a utilizar o Movie Maker, um programa com que pode fazer pequenos vídeos para ilustrar o seu trabalho e que depois pode colocar no seu blog.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Muito Parabéns: «Turma dos Sorrisos»

Merece aqui um destaque o prémio ganho pela turma do 3ºF, da Escola EB1 nº 3 de Alvide com o vídeo que resultou do trabalho que fizeram sobre a Biodiversidade.

Aqui fica o link para o trabalho que fizeram e o vídeo premiado:

http://aturmadossorrisos.blogspot.com/2010/04/biodiversidade.html