segunda-feira, 24 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Teatro, «A Menina do Mar», Balanço, ...

Mais um dia de visita às escolas. Entrei numa sala de aula e estavam todos a acabar de preencher um registo sobre as horas: a que horas me levanto? a que horas tomo o pequeno-almoço? a que horas chego à escola? a que horas começam as aulas? a que horas é o intervalo? a que horas vamos almoçar? a que horas acabam as aulas? a que horas vou para casa? a que horas janto? a que horas me vou deitar? ... Uma ficha dividida em quadradinhos, em cada quadradinho uma das perguntas e um relógio onde deveriam marcar a hora correspondente e, depois, fazer um desenho. Logo a seguir tinham que fazer um desenho e escrever uma frase sobre o que mais tinham gostado das actividades relativas ao projecto da Paz e do blogue, como lhes explicou a professora. Estavam todos entusiasmados e quando me viram entrar fizeram uma festa. Continuaram a trabalhar e lá me iam dizendo que o que mais tinham gostado tinha sido quando os pintei para o estudo dos dinossauros, para se mascararem de cientistas - o que aconteceu porque quando entrei na sala, apesar de estarem a preparar o estudo sobre os dinossauros, havia quem se estivesse a pintar com canetas de feltro. Propus-lhes então pintá-los com as minhas pinturas. Imaginam como foi naquele dia.



Na sala para onde me dirigi em seguida, a actividade principal era a do preenchimento de um guião para uma peça de teatro que querem fazer a partir da história d'«O Nabo Gigante». Escreviam os nomes de cada um no papel de cenário, à frente os nomes dos personagens, depois o local da história, as acçãoes, as falas, ... alguns iam conversando baixinho entre si, outros desenhando e eu fui tendo a ideia de fazer, em Origami, uma pomba. Uma pomba, símbolo da Paz, que lhes poderia ensinar. Comecei a fazer a experiência com papel de máquina. Claro que houve logo alguns que se foram aproximando e que queriam que eu lhes ensinasse a fazer ou que fizesse uma para eles. Surgiu assim a ideia de eu voltar cá à Escola um dia para lhes ensinar a fazer as pombas, com os naperons redondos para os tabuleiros de bolos. No final da sessão, antes de se irem embora, professora pediu-me para lhes mostrar o que tinha estado a fazer e ficou logo combinado o dia para voltar à Escola.

Fui a uma outra sala em que a professora propusera uma actividade de escrita a partir de um desenho, num parque, a pares. Cada aluno tinha diante de si uma fotocópia. Aproximei-me de um grupo de alunos que se encontrava cá atrás e fui ajudando na escrita, a prtir das observações que iam fazendo. Pareceram-me alunos com muitas dificuldades, no entanto fizeram observações muito pertinentes sobre, por exemplo, um menino que na imagem estava a andar de skate e que se poderia magoar facilmente por não ter capacete, nem joelheiras, nem cotoveleiras. Um dos alunos escrevia e com um pouco de ajuda desembaraçava-se muito bem na escrita. O outro ia fazendo a observação da figura e dando ideias para a escrita. Ao chegar a hora em que eu me ia embora, perguntaram se eu me ia embora sem os ouvir a ler o texto e quando eu lhes perguntei se me queriam lá, claro que responderam afirmativamente. Foi assim que ainda os fui ajudar na leitura perante a turma no que tinham acabado de escrever. Tiveram direito a palmas e tudo.

Na outra turma, quando entrei, cada um estava a acabar de desenhar a capa um livro sobre «A Menina do Mar». Estavam a fazer desenhos muito bonitos. A professora estava a acabar de ordenar os desenhos que cada um já tinha feito, em tamanho A5, bem como as diversas legendas. Ao acabarem a professora foi dando a cada um uma folha A4, para que cada um fosse desenhando um elemento da história, em tamanho maior: rochas, algas, peixes, o menino, a menina, o polvo, o caranguejo, ... para fazerem depois um painel. O entusiasmo à volta desta história é enorme.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Projectos, trabalho, diversão e integração

Na sala do Jardim Infantil, à medida que os meninos iam chegando à sala, iam instalando-se nas mesas a realizar a actividade que desejavam. Comecei por me sentar ao lado de um menino que estava a fazer puzzles e fui ajudando. Em pouco tempo estava a ser "adoptada" por uma menina para me sentar com ela a jogar dominó. Pouco depois já éramos cinco a jogar dominó. Era preciso contar as peças que cada um recebia no início, ir jogando na sua vez, ir percebendo em que sentido rodava a vez e saber esperar pela sua. Jogámos ainda umas duas ou três vezes. Logo foi preciso arrumar para que pudessem ir lanchar - o que não foi feito sem que primeiro fossem lavar as mãos.

Numa sala do 2º ano de escolaridade, estavam a recortar "Smiles", a pintar, a desenhar a boca e a escrever do outro lado: "Seja feliz!" Cada um recortou 12 smiles - o que também foi aproveitado pela professora para clacularem quantos "Smiles" a turma tinha recortado ao todo. Aos alunos do 1º ano ia caber pintar os olhos em cada
"Smile". Depois, cada um dos meninos vai colocar um "Smile" nas caixas do correio dos seus vizinhos. Esta actividade colaborativa entre turmas foi proposta por uma das professoras que teve conhecimento do Projecto internacional «Spread your Love».

O programa previsto para a tarde foi desmarcado: ir com duas turmas a uma feira de jogos tradicionais, organizada pela Câmara Municipal. O tempo estava de chuva e vento, pelo que actividades ao ar livre estavam completamente desaconselhadas.

Foi necessário improvisar alternativas convincentes que ajudassem a lidar com a frustração de não ir à feira dos jogos. O livro digital "A Charada da Bicharada" foi a solução. Mostrado a uma das turmas os alunos ficaram todos entusiasmados para desenharem mais bichos escondidos e descobrirem aqueles que já tinham sido desenhados por outros meninos, em http://eb1fontedaprata.blogspot.com/2010/05/quem-tem-olhinho.html.

Seguiram-se alguns jogos no pátio da Escola com a outra turma - afinal o sol acabou por aparecer. Claro que não foi o mesmo que ir à feira dos jogos, mas que foi divertido na mesma, foi.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

«Não desistir!»

Ao entrar nesta sala de aula os alunos acabavam uma ficha do livro de Língua Portuguesa. Logo de seguida a minha amiga professora propôs-lhes um dos jogos de escrita criativa que aprenderamos na formação para a escrita de "histórias malucas". Cada um respondeu a uma das seguintes questões: 1) Quem foi? 2) Encontrou quem? 3) Onde foram? 4) O que fizeram? 5) Como acabou a história? - cada um tinha recebido um papelinho já numerado onde escreveu a resposta à respectiva questão. Depois de cada um ter dado a sua resposta, recolheram-se os papelinhos e ordenaram-se segundo a numeração acima indicada. Ficaram assim construídas histórias disparatadas e bem engraçadas. Simultaneamente fui registando as histórias que surgiram e logo as enviei para a minha amiga professora. Seguiu-se o momento de arrumações da sala antes de tocar e depressa estava rodeada de alguns alunos mais curiosos que queriam conhecer o meu computador e que lhes mostrasse quais os programas que costumo utilizar. Passámos juntos um agradável momento de cumplicidade mesmo com meninos que têm enormes dificuldades em se exprimir oralmente, mas que conhecem quase tudo sobre o modo como funciona um computador.

Quando se trabalha como uma professora num meio social difícil, uma professora que acredita que todos os alunos conseguem aprender, apesar de todas as suas dificuldades, tudo ganha um sabor especial. Nesta sala de aula não se desiste dos alunos nem se desiste de investir na Escola.

Foi esta professora que teve a ideia de criar um blogue, proposto no âmbito desta formação, a toda a Escola, para deixar de ser apenas um blogue da sua turma. Ela conta que quando foi colocada na Escola não encontrou nenhuma informação na Internet sobre aquela Escola e assim, com um blogue de escola, já não vai acontecer a mesma coisa a outras colegas que sejam ali colocados.

Partilhando comigo os seus afazeres familiares e os cuidados de saúde de que vai necessitando [numa cumplicidade de amigas em que nos fomos tornando], nesta fase final da formação, precisa de perceber muito bem em que actividades se deve concentrar com os seus alunos. Tem muitas ideias e gostaria muito de colaborar em diversas propostas feitas pelas outras colegas relativamente aos projectos colaborativos, mas sente que não pode chegar a todo o lado.

Quando comentava com ela que as colegas da Escola, incluindo as do Pré-escolar, têm continuado a actualizar e alimentar o blogue ela respondeu-me: «Elas mostraram-se muito interessadas logo desde o início porque diziam que estavam a contribuir para os bons resultados da minha formação.»

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Que "aromas" transportamos connosco?

Chegar a uma sala de aula e ver os alunos a fazer uma ficha de interpretação sobre "A Menina do Mar" de Sofia, traz-me à memória as inúmeras tardes passadas em casa dos meus avós a ouvir esta história narrada pela Eunice Muñoz. Já tinha 5 anos e quase sabia toda a história de cor. Ao ler partes da história os cheiros de então vieram agarrar-se novamente ao meu corpo, como que se impregnando em mim. Hoje são as fichas de interpretação, os vários exemplares do livro nas mesas da sala de aula, os alunos a completarem a ficha, a procurarem no livro as frases para as quais remete a ficha. Interrogo-me em silêncio sobre que cheiros ficarão agarrado aos seus corpos ... Estes pensamentos são interrompidos pela professora que aproveita para me mostrar os magníficos desenhos que eles têm feito sobre as diversas partes da história ... lindos desenhos repletos de cor e inesquecíveis aromas! … tal como os diversos aromas que atravessam as nossas vidas, sobre os quais aproveitamos para trocar algumas “dicas” entre mulheres professoras.
Depois do almoço entro numa sala em que os “cheiros” recordados são os ciclos das estações do ano: o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. As figuras do livro de Estudo do Meio são o pretexto para a conversa sobre os estados do tempo em cada uma dessas épocas do ano que se repetem, com aromas renovados, a cada ano. Segue-se um desenho numa folha A4 dos quatro aromas cíclicos que os alunos já tão bem conhecem.
Na sala seguinte , quando entro sento-me logo na roda para me integrar num jogo sobre nomes de animais da quinta que tivessem visto no Jardim Zoológico. Há uma almofada que vai atravessando a roda e quem a recebe, antes de a atirar para o companheiro seguinte tem que dizer um nome de animal da quinta. Apesar de se tratar de gente bem pequena, as regras são muito bem seguidas e respeitadas. Passamos depois aos animais selvagens. São imensos os animais que conhecem e igualmente imensas as vezes que a almofada vai atravessando a roda. Todos participam. Passamos depois ao “jogo do segredo”: e a concentração para perceberem bem o que diz o vizinho? Imensa. A frase chega quase sempre igual ao fim. Segue-se para terminar o “jogo da corrente eléctrica”: tudo muito concentrado de novo e quem está no meio tem mesmo dificuldade em descobrir onde vai a corrente. Que experiência maravilhosa foi esta oportunidade.
Tudo isto aconteceu no dia 6/05/2010. O resto fica para a próxima visita.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Modelo Pedagógico do MEM - Sessão com professores, alunos e pais


Na semana passada aconteceu finalmente num dos Agrupamentos com que estou a trabalhar a sessão que tinham pedido desde o início do ano sobre o modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna (MEM). Fiz a preparação dessa sessão com a minha amiga que se identifica com esse modelo de trabalho pedagógico e que lá trabalha. Acordámos que eu falaria mais sobre a história e os antecedentes do MEM e ela explicitaria o trabalho que tem feito com a sua turma, a partir da organização espacial da sala de aula e da forma como organiza o tempo. Depois deste acordo estabelecido e já à entrada para o carro, diz-me ela: «E se eu pedisse aos meus alunos para serem eles a explicar como é que o espaço está organizado?». Achei logo uma excelente ideia, mas estávamos a dois dias da sessão. Também ficou combinado de imediato que não haveria problema quanto à sequência da sessão: caso os alunos tivessem disponibilidade para estarem presentes, o melhor seria mudar a ordem da apresentação, primeiro eles explicariam a forma como se organizam e trabalham e depois então falaríamos da história e origens do MEM.

Quando no próprio dia cheguei à Escola era grande a excitação: os alunos iam estar presentes, as mães também queriam assistir. Tínhamos preparado bolinhos e sumos para que a sessão fosse mais familiar e informal. Os colegas professores começaram a chegar. Faltava só a professora, a minha amiga, para dar início à reunião. Ela chegou e demos início à tão desejada sessão.

A professora começou por explicitar como iria decorrer a sessão e os seus alunos começaram logo de imediato a explicar como organizavam o tempo e o que faziam em cada um dos momentos semanais dedicado às respectivas actividades. Passaram depois a explicar a forma como estava organizada a sala. Os alunos do 1.º ano faziam questão de ir lendo tudo o que iam encontrando - queriam mesmo mostrar que já sabem ler tudo. Os alunos do 4.º ano faziam de "ponto" para os do 1º e explicaram também como, por exemplo, a professora tinha visto com eles quais os temas que tinham ainda que trabalhar nos projectos para aprenderem e conhecerem todas as temáticas que estão previstas no programa. Tudo decorreu com uma grande naturalidade e à vontade.

Chegara finalmente a parte final e mais teórica sobre o MEM. Apesar de a minha amiga ter dito que se os pais quisessem sair que o poderiam fazer, todos (ou melhor todas, porque eram sobretudo mães) quiseram ficar. E aí fiquei um pouco aflita, porque uma coisa é falar para professores, outra coisa é falar para pais e meninos. Lá me desembaracei o melhor que consegui, tentando traduzir as ideias essenciais numa linguagem que todos percebessem. De modo completamente espontâneo e imprevisto, no final houve algumas mães que quiseram dar o seu testemunho sobre os percursos de aprendizagem dos seus filhos: «Este meu filho tem muito mais gosto pela Escola do que a outra minha filha que se fartava de fazer linhas de "t" e de "f". Aqui não, parece que tudo tem mais sentido para eles. Eles aprendem com gosto.» «Eu estou muito contente porque os nossos filhos já tinham estado numa escola da Misericórdia que tem a mesma forma de trabalhar e assim eles continuam a aprender segundo a mesma metodologia. Não têm tido dificuldades absolutamente nenhumas, aprendem, gostam de aprender e andam contentes. É pena é que não possam continuar para o próximo ano.» «O meu filho é um desses meninos e eu também estou muito contente.»

Com os colegas, depois dos alunos e de as mães terem saído, as questões já foram de outra natureza: «A mim faz-me muita confusão que eles não aprendam pelo "p" + "a" = "pá" ... mas afinal como é que eles aprendem a ler?» «Quando é que lhes ensinam as letras?» «Eles [alunos] de facto dominam isto tudo.»

Algumas das respostas:
- eles começam logo a ler, mesmo que seja de cor, e a familiarizar-se com a sílabas e as letras - o abecedário está exposto na sala desde o início do ano; fazem listas de palavras que têm a mesma sílaba e isso vai sendo sempre trabalhado; o manancial de palavras que eles conhecem vai sempre aumentando e começam logo a fazer tentativas de escrita;
- construímos assim o livro de leitura com eles a partir as novidades que nos vão contando no «Ler, contar e mostrar»;
- no MEM as pessoas não começam a mudar a sua forma de trabalhar sozinhas, devem ser acompanhadas e devem estar integradas em grupos de auto-formação, porque esta forma de trabalhar significa uma grande mudança;
- talvez para o ano se possa constituir aqui , neste concelho, um grupo para fazer uma Oficina de Iniciação ao Modelo do Movimento da Escola Moderna.

Para saber mais sobre o Movimento da Escola Moderna: http://www.movimentoescolamoderna.pt/;
o MEM no 1º CEB - http://www.movimentoescolamoderna.pt/documentos_ilustrativos/1ciclo/indice-1ciclo.htm