Foi no Sábado (29/05/2010) que nos juntámos todos/as para a última sessão presencial desta formação. Aconteceu na Escola Secundária de Alvide, porque participam nesta formação 8 professores/as deste Agrupamento e pediram para que esta sessão lá acontecesse. No mesmo havia um outro evento lá no Agrupamento - a recolha de inscrições para potenciais dadores de medula óssea - e a maioria deles queria participar. Consultadas as restantes participantes na formação, entre formandas e convidadas, todas concordaram.
Nesta sessão todos os participantes apresentaram o seu trabalho. Falaram sobre algumas das actividades realizadas, sobre quais os pontos fortes e os pontos fracos, no entender de cada um, deste processo de formação e ainda das perspectivas de continuação de trabalho. O dia acabou com os comentários de duas convidadas, duas amigas minhas que têm acompanhado todo este percurso de intervenção e investigação e se disponibilizaram para acompanhar este dia e para estar connosco: a Carla Cibele Figueiredo (ESE de Setúbal) e a Mónica Mesquita (UIE&F - IE, UL).
Nestes processos, ouvir os outros, comentar os seus trabalhos e colocar questões, fazem parte de um crescimento conjunto e da co-construção do conhecimento colectivo em que todos participamos, tal como dizia Paulo Freire:
«O conhecimento – diria ele [Paulo Freire] – não é algo que possa ser encapsulado, congelado no tempo, propriedade de uns e não de outros, que se recuse ou se aceite sem crítica. O conhecimento é concriado pelos homens e mulheres de todo o mundo. O conhecimento é poder e o conhecimento pode libertar. Isto porque conhecemos não só com as nossas mentes – a estrutura neurológica dos nossos cérebros orgânicos – mas com os nossos corpos, os nossos sentidos, a nossa alma, com a história daqueles que vieram antes de nós e com uma visão do que imaginamos ser o futuro.»
In O’Cadiz, P. (2002). Agradecimentos. In Torres, C.A., O’Cadiz, M.P., Wong, P., Educação e Democracia. Paulo Freire, movimentos sociais e reforma educativa. Lisboa: Edições Universitárias Lusófonas
Ainda temos muito que aprender, deste ponto de vista. Mantemos ainda uma atitude muito defensiva face ao nosso trabalho e por isso temos medo de comentar o trabalho dos outros, de lhes colocar dúvidas sobre o que não percebemos bem, sobre como fazer de um outro modo.
Foi assim que chegámos ao final deste intenso dia, com a sensação de que estamos a iniciar um percurso conjunto, tendo dado apenas os primeiros passos ... todos temos vontade de dar continuidade a esta construção.
As questões que ficaram para serem aprofundadas:
- como perder o medo de serem os nossos alunos a utilizar os computadores que temos nas salas de aula, mesmo que sejam apenas um ou dois? ... o que os ingleses chamam como "hands on"; ... é perder o medo e deixar cair a ilusão de que o professor controla tudo na sala de aula - mesmo pensando que controla, ele nunca controla tudo ... e depois, se os processos de trabalho forem regulados em conjunto com os alunos ... não ficará o professor com o trabalho facilitado?;
- os pais e a Escola: que relação poderá haver entre estes actores sociais? que participação podem e devem ter os pais na Escola? ... nos blogues? ... como podemos enquadrar essa participação?
- a Educação e expressão Artística, a criatividade e o "bonitinho" - como fomentar a criatividade e a expressão artística? ... que equilíbrios procuramos? ... que sentido faz dar fichas para os alunos pintarem no 1º CEB? ... não vêm eles a desenhar tão bem e a pintar do Jardim de Infância?
- as eleições, a vivência democrática e participação democrática directa: faz sentido que nas escolas do 1º CEB se proceda a eleições com a justificação de ser uma forma muito utilizada na nossa vida colectiva? ... não haverá outras formas mais interessantes de escolher trabalhos, textos, logotipos, ... ? ... dar a possibilidade a todos de terem o seu trabalho escolhido, de participarem noutros contextos fora da sala de aula, possibilitando que todos passem por esse tipo de experiências de aprendizagem ... organizar o grupo de modo a que isso possa acontecer rotativamente, não será mais desafiante para todo o grupo?
- não estaremos a ter uma visão muito idealizada do que é a Educação para a Paz? ... onde ficam os conflitos e as tensões que fazem parte dos nossos quotidianos e do trabalho que fazemos com os nossos grupos de alunos? ... como ultrapassamos esses momentos? ... que instrumentos de regulação utilizamos?
Estas foram algumas das muitas questões levantadas ... mas houve mais ...
E, por fim, e a questão mais relevante de todas ... como nos vamos organizar para dar continuidade a esta dinâmica de formação?
Não posso deixar de registar o enorme privilégio que foi para mim todo este processo: o empenho de todos, o profissionalismo, a minha entrada nas suas salas de aula, o acompanhamento dos blogues, o envolvimento nos projectos colaborativos, ... a amizade e as cumplicidades que se foram construindo e aprofundando, a vontade de continuar a crescer num caminho conjunto, ... MUITO E MUITO OBRIGADA!! ... pela minha parte!