segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A dimensão ética de "ser professor/a"


 Refletindo e pesquisando sobre a avaliação do desempenho docente e a dimensão ética da profissão docente, encontrei este artigo de Caetano e Silva (2009). Este artigo faz referência a toda a legislação do sistema educativo sobre este assunto - uma dimensão que começa por surgir na Lei de Bases do Sistema Educativo (Artigo 3.º - Princípios Organizativos) e se vai tornando presente em toda a legislação d'aí decorrente, nomeadamente no Estatuto da Carreira Docente (Artigo 13.º - Formação inicial e Artigo 42.º - Avaliação de Desempenho Docente). As autoras deste artigo fazem ainda referência à investigação e, através desta, ao que os professores pensam a este propósito. Este é um artigo que vale a pena ser lido por todos os atores educativos (professores, pais, administração e governantes).


«(...) os professores, quando lhes é pedido para se exprimirem acerca do que pensam que é ser professor, definem a sua profissão como uma actividade constitutivamente ética: ética porque o professor deve agir na observância de um conjunto de princípios de natureza moral e também porque o que se espera do professor é que ele recorra a uma estratégia, desenvolva um método e disponha de recursos para promover a formação ética dos alunos. Com efeito, “relativamente ao modo como os professores definem a docência, assume particular relevo a função de educar, formar os alunos e contribuir para o desenvolvimento pessoal e social das crianças e jovens”, sublinhando‑se que “ser professor (…) obriga a um modo particular de ser e de estar” (Silva, 1994, p. 93). Pensam assim, tanto os professores mais jovens, e que se encontram no início da carreira, como os professores mais velhos, já no topo ou no meio da carreira, que colaboraram no estudo de Silva. Para todos eles, a ideia de docência organiza‑se em torno de dois pólos: um, a afirmação que o desempenho da profissão reclama dos profissionais características especiais e lhes impõe exigências de comportamento e, outro, que a docência se realiza na transformação do aluno com vista a que se conduza por referência a valores de natureza ética. Para estes docentes parece ser claro que “levar cada pessoa à descoberta do que em si é humano e a constituir‑se, desse modo, como sujeito moral e ético autodeterminado é, propriamente falando, a tarefa educativa” (Seiça, 2003, p. 37).»

«(...) A noção de ética gira em torno de princípios e valores, orientando a acção o estabelecimento de regras para o bem, nomeadamente o bem do aluno. Os professores orientam‑se maioritariamente por uma perspectiva contextualista e consequencialista que considera, no particular, a protecção do outro e o cuidado, através do diálogo e da análise de situações concretas, mas também são orientados por valores como o respeito e a solidariedade, a liberdade e autonomia, a justiça, imparcialidade e igualdade,a honestidade e verdade, a responsabilidade e dignidade humanas, o rigor e a competência. (...)»

In Caetano, A. P. & Silva, M. L. (2009). Ética profissional e formação de professores.
Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 08, pp. 49 ‑ 60. Recolhido em http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/S8_PTG_Caetano&Silva%284%29.pdf


domingo, 29 de setembro de 2013

Questões Éticas e a utilização das TIC


"Uma ética para agir no mundo" ...

O desenvolvimento moral das crianças e a importância das regras ... um artigo a não perder: 
 

Este projeto versus a investigação


Artigos e tese de doutoramento:
Última atualização: 16/11/2013

Belchior, M., Ribeiro, E. (2010). Numa sala de aula: o Modelo da Escola Moderna e a Educação para a Paz. Escola Moderna, N.º 36, 5.ª série, pp. 42 - 51 - http://www.academia.edu/4612458/Numa_sala_de_aula_o_modelo_do_Movimento_da_Escola_Moderna_e_a_Educacao_para_a_Paz

Belchior, M. (2010). Construção de um cenário em b-learning: Aprender, TIC e Educação para a Paz. In Costa, F.A. et al, Conferência Internacional TIC EDUCA 2010, Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, novembro 2010 - http://www.academia.edu/4612800/Construcao_de_um_Cenario_em_b-learning_Aprender_TIC_e_Educacao_para_a_Paz_

Belchior, M. (2012). Uma trajetória de aprendizagem numa oficina de formação em regime de b-learning. In Costa, F.A., et al,,  XIX Colóquio AFIRSE, Instituto de Educação daUniversidade de Lisboa, fevereiro 2012, Comunicação. - http://www.academia.edu/4612501/Uma_trajectoria_de_aprendizagem_numa_oficina_de_formacao_em_regime_de_blearning_

Belchior, M., Matos, J.F. (2012). Educação para a Paz: Aprender, TIC e projetos colaborativos no 1.º CEB.In Peres, A. et al (Org.), XXVI Encontro Galaico Português
de Educadores pola Paz
, Chaves: Universidades de Trás-os-Monte - http://www.academia.edu/4612817/EDUCACAO_PARA_A_PAZ_APRENDER_TIC_E_PROJETOS_COLABORATIVOS_NO_1_CEB

Belchior, M. (2012). Aprender na Sociedade da Informação e do Conhecimento - entre o local e o global - contributos para a Educação para a Paz. Tese de doutoramento em Educação (TIC na Educação), apresentada ao Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Recolhida em http://hdl.handle.net/10451/8005

Belchior, M. (2013).  Aprender, tecnologías y educación para la paz: un proyecto de educacíón para el desarrollo. In HTTP - educación y comunicación, 7, nov. 2013, pp. 53-66 - https://www.academia.edu/5116761/Aprender_tecnologias_y_educacion_para_la_paz_un_proyecto_de_educacion_para_el_desarrollo

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aprender a viver entre dois mundos ...






«(...) Normalmente, nos papéis que me davam na escola, eu escrevia sempre nas observações que tinha surdez severa e utilizava próteses auditivas. Resolvi tentar escrever isso em francês no tal campo, e assim que a senhora viu, desatou a berrar uma série de palavrões, dos quais só entendi mesmo “Handicapé?? Handicapé?? Comment on va faire?? Handicapé?!”. Em 20 anos de vida, nunca me tinham chamado “limitada” tantas vezes como naqueles 5 minutos.

Aos poucos fui-me adaptando à faculdade, (...) A Aurèlie já tinha acabado o curso na faculdade onde eu andava, por isso ajudou-me com apontamentos e conselhos, pelo que acabei por aprender mais com ela, no que nas aulas em si. Consegui passar os exames finais das cadeiras, com notas baixas, mas tive uma grande negativa num trabalho escrito. Tive de ir a segunda fase, conseguindo obter uma positiva boa e concluindo o ano. Mentalmente, revi a cara da senhora furiosa do primeiro dia e respondi-lhe “Handicapé oui, et alors?!”. (...)»