O Homem, As Viagens
de Carlos Drummond de Andrade
Homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
Pisa em Marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza Marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a Júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para te ver?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a colonizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De conviver.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
sexta-feira, 25 de julho de 2014
Pela Paz entre palestinianos e israelitas #12
"Não dá para mudar o começo mas ainda dá para mudar o final"
Imagem: O artista israelita Amir Schiby presta homenagem aos 4 rapazes palestinos mortos na praia por Israel. Os seus nomes Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.
Através de Raquel Varela
L'artiste
israélien Amir Schiby rend hommage aux quatre enfants palestiniens tués
sur une plage de Gaza par une frappe israélienne.
Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.
Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Rede Educação para a Cidadania Global: "IX A escola no mundo e o mundo na escola"
Julho, 5. O IX Encontro ‘A escola no mundo e o mundo na escola’ teve lugar no passado sábado, na Fundação Cidade de Lisboa. Entre os 83 educadores e educadoras participantes, um interesse comum: reforçar a sua intervenção na área da Educação para a Cidadania Global (ECG). Este ano esteve em destaque o tema “Desafios da sociedade, contribuições da Educação para a Cidadania Global”.
Ao longo do dia foram várias as atividades realizadas em torno da partilha e da participação conjunta. Durante a manhã foi apresentada a Rede de Educação para a Cidadania Global (Rede ECG) - uma estrutura criada pelos próprios educadores/as, em resultado do seu entusiasmo pela temática.
Para saber mais:
http://www.cidac.pt/index.php/o-que-fazemos/atividades-e-projetos/atividades-realizadas-2014#Encontro5julho
http://www.fgs.org.pt/wordpress/ix-encontro-a-escola-no-mundo-e-o-mundo-na-escola-motiva-educadoresas-a-enfrentar-desafios-da-sociedade-a-partir-da-sua-pratica/
Pela Paz entre palestinianos e israelitas # 11
Por Roberto Saviano: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10152272876121864&set=a.402350881863.180175.17858286863&type=1&fref=nf
A morte de uma criança – neste caso não de uma, mas dezenas – é um ponto sem retorno.
Perante a morte de crianças, todo o raciocínio pára. Cada motivo perde o sentido. Cada ação não é mais ação, mas o caos e o crime. Já não é possível investigar, esforçar-se por entender as razões.
Como não compreender que estas mortes em Gaza tornam impossível qualquer forma de futuro? Quer seja para Israel, quer seja para a construção de um estado palestino democrático. A morte de uma criança é o futuro a ser coberto pela morte. Não é uma dor que possa ser sanada. Destrói e envenena todos os dias vindouros. Não bastam as justificativas militares. A cada criança que morre sob bombas israelitas são destruídas possibilidades de paz, a única verdadeira possibilidade para estes dois povos que serão vizinhos para sempre.
É absurdo observar como o mundo ainda permite esta guerra.
Estou ciente de que as minhas palavras para nada servirão, que nem serão tomadas em consideração. Mas não é uma boa razão para manter o silêncio. O desejo de paz não precisa que o deixemos morrer. É muito mais fácil nestas horas odiar, provar o ressentimento. É mais fácil acreditar que interessar-se significa apoiar o contraste. Mas em vez disso, temos de encontrar a força para ser simples e dizer a única coisa que realmente faz sentido e gritar: Basta!! Basta!! Basta!!!
Tenho ao meu lado como sempre livros que me ajudam a entender, onde procuro respostas que a vida cotidiana parece não ser capaz de me dar.
"Vítimas", de Benny Morris, explica o que está a acontecer a esta hora. Só e especialmente as vítimas. Não é política, não a estratégia de militantes, o exército, falcões israelitas e fundamentalistas islâmicos. Mas a população: vítima de um conflito absurdo, sob os desígnios de interesses vizinhos e longínquos, um conflito que parece não ter qualquer sentido, mas do qual continuamos a ser testemunhas indignadas.
(Tradução feita por mim, com ajuda do Google Translator e do Bingo translator.)
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Pela Paz entre palestinianos e israelitas #10: No 13.º dia do conflito.
A diferença entre guerra e carnificina
O 13.º dia de conflito foi de longe o mais violento e
o mais sangrento na investida que os israelitas, agora também pela via
terrestre, fazem na Faixa de Gaza. Benjamin Netanyahu já tinha avisado
que iria “expandir as áreas” de ataque, tendo ontem enviado tanques e
infantaria para zonas urbanas à procura de túneis e de rampas de
lançamento dos rockets palestinianos. O ataque mais violento
aconteceu no bairro de Shajaya, onde os repórteres presentes
testemunharam uma autêntica carnificina, com pelo menos 62 pessoas
mortas, a maioria das quais mulheres e crianças. Mortos que vão
engrossar uma estatística tétrica onde se já contabilizam, em duas
semanas de conflito, 438 baixas palestinianas e duas dezenas do lado
israelita.
O dado mais alarmante neste conflito é o número que
está a ser avançado pela ONU e que diz que 80% das vítimas palestinianas
são civis, sendo que as crianças formam o maior grupo. Apesar de Israel
ter um dos exércitos mais avançados do mundo, em termos de artilharia,
informações e precisão, organizações de direitos humanos da Palestina e
Israel falam num ataque desproporcionado.Nos dois lados da barricada ninguém se entende, as posições estão ainda mais extremadas e ontem nem sequer conseguiram respeitar uma trégua de duas horas pedida pela Cruz Vermelha para remover cadáveres e retirar os feridos.
Perante tantas baixas de civis a necessidade de um cessar-fogo torna-se ainda mais premente. O Hamas continua a recusar a intermediação feita pelo Cairo, preferindo a Turquia ou o Qatar. Doha já apresentou uma proposta de tréguas, mas Israel insiste que o Egipto deve fazer parte de um acordo. Entretanto, vamos assistindo a relatos desumanos, como o de um pai que diz “isto é o meu filho”, enquanto abre um saco de plástico.
In PÚBLICO, 21/07/2014:
http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-diferenca-entre-a-guerra-e-a-carnificina-1663666
Pela Paz entre palestinianos e israelitas #9
"A guerra é um massacre de homens que não se conhecem em benefício de outros que se conhecem mas não se massacram."
Paul Valéry
In: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=312639478903621&set=a.308611579306411.1073742005.100004727137373&type=1&theater
Paul Valéry
In: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=312639478903621&set=a.308611579306411.1073742005.100004727137373&type=1&theater
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