Há frases que me fazem um nervoso miiiiiiiiiudinho ... esta é uma delas.
É uma frase tipo "salomónica": vamos dividir responsabilidades para que
cada um assuma as suas. Pode também ser considerada como uma frase tipo da
época industrial, em que proliferaram as linhas de montagem, como tão
bem caricatura o filme dos "Tempos Modernos", de Chaplin/Charlot: a cada um a sua tarefa "técnica", numa sequência temporal linear e bem "desenhada", de preferência. É de uma
grande pobreza encarar a educação de crianças como se de uma linha de
montagem se tratasse. A complexidade do que é o ser humano e que impera nas sociedades ocidentais, torna o desafio de educar (no qual se inclui a instrução) muito mais exigente, logo mais interessante.
Foto de: https://www.facebook.com/igualdadeparental.org/photos/a.370962582582.161029.206659582582/10151858806052583/?type=1&fref=nf
Como pode a escola "instruir" (passar o legado
da humanidade às novas gerações) sem ter em conta que isso acontece num
espaço social e cultural, onde aprender as regras da convivência e do
respeito pelos outros, pelo outro, pelo diferente, é essencial? Estas
são aprendizagens fundamentais que só num espaço social de encontro, com
características como as que tem a escola, ganham o seu verdadeiro
sentido. O que se aprende na escola vai muito para além do explícito, do
formal ... pode-se aprender a conformidade social (a obediência), a
aprender e a estudar para ter boas notas nos testes, nas provas finais
ou nos exames - mas ao falar de sítios assim, não estamos a falar do que
é uma escola. Numa ESCOLA aprende-se a gostar de literatura, a escrever
e a produzir os seus próprios contos, aprende-se a pintar e a desenhar
as suas fantasias, as suas emoções e sentimentos, a par de conhecer
obras de grandes pintores e artístas; desenvolve-se a capacidade de
expressão de cada um e a ter pensamento crítico, a interrogar-se sobre o
que acontece à sua volta e a procurar razões para o que acontece ... ;
aprende-se a falar e a ouvir; aprende-se a preparar uma viagem ou um
passeio e a estudar história e geografia para isso ... onde começa a
instrução e acaba a educação ou vice-versa? ... a quem "compete" ensinar
o gosto pela vida? ... a quem compete ensinar a resolver problemas,
sejam eles de que tipo forem? ... e tantos que há por resolver ... Em
África há um ditado que diz: "É preciso uma aldeia inteira para educar
uma criança!" - a cada um as suas responsabilidades, de acordo com as
suas possibilidades, e ninguém se deve demitir - as fronteiras são
ténues e as responsabilidades só podem ser partilhadas entre "todos os
habitantes da aldeia."
sábado, 20 de setembro de 2014
domingo, 7 de setembro de 2014
«Chumbar para aprender .. ou não», por José Morgado
O que se faz no Agrupamento de Escolas de Carcavelos, com
base na investigação (conhecimento) e no "bom senso" (construído a
partir da experiência de cada um) ...
«(...) Na verdade, muitos estudos, nacionais e internacionais, mostram que os alunos que começam a chumbar, tendem a continuar a chumbar, ou seja, a simples repetição do ano, não é para muitos alunos, suficiente para os devolver ao sucesso. Os franceses utilizam a fórmula “qui redouble, redoublera” quando referem esta questão.
Nesta conformidade e do meu ponto de vista, a questão central não é o chumba, não chumba e quais os critérios ou o número de exames, mas sim que tipo de apoio, que medidas e recursos devem estar disponíveis para alunos, professores e famílias, desde o início da percepção de dificuldades, de forma a evitar a última e genericamente ineficaz medida do chumbo. (...)
«(...) Esta perspectiva, mais exames como fonte de qualidade, parece decorrer da estranha convicção de que se medir muitas vezes a febre, esta irá baixar o que é, no mínimo, ingénuo.
A "febre" baixa com "tratamento" continuado, adequado e oportuno, como acontece no Agrupamento de Escolas de Carcavelos. »
Para ler mais: http://atentainquietude.blogspot.pt/2014/09/chumbar-para-aprender-ou-nao.html
«(...) Na verdade, muitos estudos, nacionais e internacionais, mostram que os alunos que começam a chumbar, tendem a continuar a chumbar, ou seja, a simples repetição do ano, não é para muitos alunos, suficiente para os devolver ao sucesso. Os franceses utilizam a fórmula “qui redouble, redoublera” quando referem esta questão.
Nesta conformidade e do meu ponto de vista, a questão central não é o chumba, não chumba e quais os critérios ou o número de exames, mas sim que tipo de apoio, que medidas e recursos devem estar disponíveis para alunos, professores e famílias, desde o início da percepção de dificuldades, de forma a evitar a última e genericamente ineficaz medida do chumbo. (...)
«(...) Esta perspectiva, mais exames como fonte de qualidade, parece decorrer da estranha convicção de que se medir muitas vezes a febre, esta irá baixar o que é, no mínimo, ingénuo.
A "febre" baixa com "tratamento" continuado, adequado e oportuno, como acontece no Agrupamento de Escolas de Carcavelos. »
Para ler mais: http://atentainquietude.blogspot.pt/2014/09/chumbar-para-aprender-ou-nao.html
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
terça-feira, 2 de setembro de 2014
"La Caravane Amoureuse"
Estas férias uma amiga muito especial, francesa, que me acolheu por uns dias, mostrou-me um filme fascinante sobre "La Caravane Amoureuse", na Índia:
http://www.caravaneamoureuse.com/index.php?p=12&l=FR
Esta é a sua apresentação:
«Le cœur de l’homme, patrimoine de l’humanité
Le commandant Cousteau partait en expédition avec la Calypso explorer les océans pour en montrer la beauté. La Caravane amoureuse, elle, part en expédition avec des bus pour explorer les profondeurs humaines et mettre à l’honneur par le film documentaire les femmes et les hommes qui s’engagent pour que notre monde aille vers davantage de paix, de solidarité et de conscience environnementale.»
O coração do homem, património da humanidade
O comandante Cousteau partia em expedição com o Calypso para explorar os oceanos e para mostrar nos mostrar a beleza destes. A caravana amorosa para em expedição em autocarros para explorar as profundezas humanas e honrar através de filmes documentários as mulheres e os homens que se empenham para que o nosso mundo se oriente preferencialmente para a paz, a solidariedade e a consciência ambiental.
No filme que vi houve vários momentos que me tocaram especialmente: os projetos de educação ambiental visitados, nomeadamente um de produção de algodão biológico seguido da respetiva confeção de vestuário, mostrando todos os cuidados ambientais envolvidos desde a gestão da água, ao cultivo do algodão, passando pela produção de bioenergia à confeção propriamente dita, ...Ou momento tocante foi ver como crianças jovens e adultos que nunca tinham visto um piano de cauda, começavam, como que do nada, a tocar em harmonia com Marc Vella ...
Uma entrevista de Marc Vella - um ser que faz bem ouvir:
Provérbio africano: "Ouve-se melhor o estrondo de uma árvore que cai na floresta, do que o crescimento das restantes árvores."
http://www.caravaneamoureuse.com/index.php?p=12&l=FR
Esta é a sua apresentação:
«Le cœur de l’homme, patrimoine de l’humanité
Le commandant Cousteau partait en expédition avec la Calypso explorer les océans pour en montrer la beauté. La Caravane amoureuse, elle, part en expédition avec des bus pour explorer les profondeurs humaines et mettre à l’honneur par le film documentaire les femmes et les hommes qui s’engagent pour que notre monde aille vers davantage de paix, de solidarité et de conscience environnementale.»
O coração do homem, património da humanidade
O comandante Cousteau partia em expedição com o Calypso para explorar os oceanos e para mostrar nos mostrar a beleza destes. A caravana amorosa para em expedição em autocarros para explorar as profundezas humanas e honrar através de filmes documentários as mulheres e os homens que se empenham para que o nosso mundo se oriente preferencialmente para a paz, a solidariedade e a consciência ambiental.
No filme que vi houve vários momentos que me tocaram especialmente: os projetos de educação ambiental visitados, nomeadamente um de produção de algodão biológico seguido da respetiva confeção de vestuário, mostrando todos os cuidados ambientais envolvidos desde a gestão da água, ao cultivo do algodão, passando pela produção de bioenergia à confeção propriamente dita, ...Ou momento tocante foi ver como crianças jovens e adultos que nunca tinham visto um piano de cauda, começavam, como que do nada, a tocar em harmonia com Marc Vella ...
Uma entrevista de Marc Vella - um ser que faz bem ouvir:
Provérbio africano: "Ouve-se melhor o estrondo de uma árvore que cai na floresta, do que o crescimento das restantes árvores."
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Fórum Educação e Cidadania - Objetivos Estratégicos e Recomendações para um Plano de Ação de Educação e Formação para a Cidadania (2008)
Relatório de um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Educação (2008). Aqui: http://www.drealg.min-edu.pt/upload/docs/dsapoe_FECidadaniaSP.pdf
Nota: Todos os links do MEC atual (exceção feita a este) estão desativadas, pelo que, sendo este um interessante documento, aconselha-se a fazer o download.
domingo, 17 de agosto de 2014
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
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