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sábado, 28 de março de 2020
sábado, 7 de fevereiro de 2015
sábado, 13 de abril de 2013
As crianças e o futuro de Portugal
![]() |
| http://anossaviagem20122016.blogspot.pt/2013/03/o-futuro-de-portugal.html |
Quando se ouve as crianças sobre o futuro de Portugal, o futuro do mundo, o que elas têm para nos dizer ...
http://anossaviagem20122016.blogspot.pt/2013/03/o-futuro-de-portugal.html
segunda-feira, 19 de março de 2012
Dia do Pai - «Dar asas ...»
... e porque hoje é Dia do Pai ...
... lembrei-me de partilhar aqui um texto que escrevi a partir de uma conversa extraordinária, a que tive o privilégio de assistir, entre estes dois homens, pais maravilhosos, certamente, de muitos/as que lhes passam pelas mãos ...
«Dar asas ...»
... lembrei-me de partilhar aqui um texto que escrevi a partir de uma conversa extraordinária, a que tive o privilégio de assistir, entre estes dois homens, pais maravilhosos, certamente, de muitos/as que lhes passam pelas mãos ...
«Dar asas ...»
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Carta da Monja Coen - Japão: «O que podemos aprender com eles?»
Pela situação que vivemos e em solidariedade com o que se passou no Japão:
http://abeirario.blogspot.com/2011/04/carta-da-monja-coen-japao-o-que-podemos.html
http://abeirario.blogspot.com/2011/04/carta-da-monja-coen-japao-o-que-podemos.html
sábado, 18 de dezembro de 2010
«O perigo da história única» CHIMAMANDA ADICHIE
Nota: Na parte de baixo do vídeo, encontra as legendas em «Subtitles available in» encontram «Portugese (Portugal)»
segunda-feira, 31 de maio de 2010
No final ... uma nova fase ...
Foi no Sábado (29/05/2010) que nos juntámos todos/as para a última sessão presencial desta formação. Aconteceu na Escola Secundária de Alvide, porque participam nesta formação 8 professores/as deste Agrupamento e pediram para que esta sessão lá acontecesse. No mesmo havia um outro evento lá no Agrupamento - a recolha de inscrições para potenciais dadores de medula óssea - e a maioria deles queria participar. Consultadas as restantes participantes na formação, entre formandas e convidadas, todas concordaram.
Nesta sessão todos os participantes apresentaram o seu trabalho. Falaram sobre algumas das actividades realizadas, sobre quais os pontos fortes e os pontos fracos, no entender de cada um, deste processo de formação e ainda das perspectivas de continuação de trabalho. O dia acabou com os comentários de duas convidadas, duas amigas minhas que têm acompanhado todo este percurso de intervenção e investigação e se disponibilizaram para acompanhar este dia e para estar connosco: a Carla Cibele Figueiredo (ESE de Setúbal) e a Mónica Mesquita (UIE&F - IE, UL).
Nestes processos, ouvir os outros, comentar os seus trabalhos e colocar questões, fazem parte de um crescimento conjunto e da co-construção do conhecimento colectivo em que todos participamos, tal como dizia Paulo Freire:
«O conhecimento – diria ele [Paulo Freire] – não é algo que possa ser encapsulado, congelado no tempo, propriedade de uns e não de outros, que se recuse ou se aceite sem crítica. O conhecimento é concriado pelos homens e mulheres de todo o mundo. O conhecimento é poder e o conhecimento pode libertar. Isto porque conhecemos não só com as nossas mentes – a estrutura neurológica dos nossos cérebros orgânicos – mas com os nossos corpos, os nossos sentidos, a nossa alma, com a história daqueles que vieram antes de nós e com uma visão do que imaginamos ser o futuro.»
In O’Cadiz, P. (2002). Agradecimentos. In Torres, C.A., O’Cadiz, M.P., Wong, P., Educação e Democracia. Paulo Freire, movimentos sociais e reforma educativa. Lisboa: Edições Universitárias Lusófonas
Ainda temos muito que aprender, deste ponto de vista. Mantemos ainda uma atitude muito defensiva face ao nosso trabalho e por isso temos medo de comentar o trabalho dos outros, de lhes colocar dúvidas sobre o que não percebemos bem, sobre como fazer de um outro modo.
Foi assim que chegámos ao final deste intenso dia, com a sensação de que estamos a iniciar um percurso conjunto, tendo dado apenas os primeiros passos ... todos temos vontade de dar continuidade a esta construção.
As questões que ficaram para serem aprofundadas:
- como perder o medo de serem os nossos alunos a utilizar os computadores que temos nas salas de aula, mesmo que sejam apenas um ou dois? ... o que os ingleses chamam como "hands on"; ... é perder o medo e deixar cair a ilusão de que o professor controla tudo na sala de aula - mesmo pensando que controla, ele nunca controla tudo ... e depois, se os processos de trabalho forem regulados em conjunto com os alunos ... não ficará o professor com o trabalho facilitado?;
- os pais e a Escola: que relação poderá haver entre estes actores sociais? que participação podem e devem ter os pais na Escola? ... nos blogues? ... como podemos enquadrar essa participação?
- a Educação e expressão Artística, a criatividade e o "bonitinho" - como fomentar a criatividade e a expressão artística? ... que equilíbrios procuramos? ... que sentido faz dar fichas para os alunos pintarem no 1º CEB? ... não vêm eles a desenhar tão bem e a pintar do Jardim de Infância?
- as eleições, a vivência democrática e participação democrática directa: faz sentido que nas escolas do 1º CEB se proceda a eleições com a justificação de ser uma forma muito utilizada na nossa vida colectiva? ... não haverá outras formas mais interessantes de escolher trabalhos, textos, logotipos, ... ? ... dar a possibilidade a todos de terem o seu trabalho escolhido, de participarem noutros contextos fora da sala de aula, possibilitando que todos passem por esse tipo de experiências de aprendizagem ... organizar o grupo de modo a que isso possa acontecer rotativamente, não será mais desafiante para todo o grupo?
- não estaremos a ter uma visão muito idealizada do que é a Educação para a Paz? ... onde ficam os conflitos e as tensões que fazem parte dos nossos quotidianos e do trabalho que fazemos com os nossos grupos de alunos? ... como ultrapassamos esses momentos? ... que instrumentos de regulação utilizamos?
Estas foram algumas das muitas questões levantadas ... mas houve mais ...
E, por fim, e a questão mais relevante de todas ... como nos vamos organizar para dar continuidade a esta dinâmica de formação?
Não posso deixar de registar o enorme privilégio que foi para mim todo este processo: o empenho de todos, o profissionalismo, a minha entrada nas suas salas de aula, o acompanhamento dos blogues, o envolvimento nos projectos colaborativos, ... a amizade e as cumplicidades que se foram construindo e aprofundando, a vontade de continuar a crescer num caminho conjunto, ... MUITO E MUITO OBRIGADA!! ... pela minha parte!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
«A aranha webby» - contra o fanatismo e o racismo ...
Vejam só esta história fantástica contra o racismo e o fanatismo, ilustrada por meninos do Jardim Infantil, do Centro Escolar Nº2 de Rio Maior (quase todos com 3 anos):
http://pazvalorescidadania.webnode.com/products/a-aranha-webby/
Tanto que temos para aprender ainda, sob diversos pontos de vista ...
http://pazvalorescidadania.webnode.com/products/a-aranha-webby/
Tanto que temos para aprender ainda, sob diversos pontos de vista ...
terça-feira, 25 de maio de 2010
A vida da turma no blogue ...
«Não nos tinhas dito que vinha cá hoje a Margarida!» - exclamaram muitos dos alunos daquela turma para a sua professora, quando bati à porta e entrei.
Foi assim que fui recebida em mais uma visita a uma das salas de aula por onde tenho passado. De facto da última vez que era para lá ter ido, precisei de levar o carro à oficina e tive que adiar a minha ida lá.
Estavam a acabar de recortar os Smiles que iam distribuir pelas turmas, integrando-se assim no Projecto Colaborativo «Spread your love». Recortavam, pintavam e escreviam por trás «Sejam feliz!».
Prepararam-se depois para ver uma apresentação (em Power Point) sobre a orientação solar, que uma das alunas tinha preparado em casa para mostrar aos colegas. Seguiu-se a observação de um vídeo, encontrado no Youtube, sobre a orientação solar, no qual se ensina como construir um relógio solar a partir dos pontos cardeais.
Acabaram, em seguida, de fazer uma ficha com gráficos, projectada no QI. Cada um completou a sua ficha, tendo-se seguido a correcção colectiva, no quadro. Desta vez no quadro de giz.
A grande novidade do dia foi quando chamaram a Professora ao telefone para lhe comunicar que o irmão do Bernardo (um menino que faltou), estava a nascer naquele preciso momento. O irmão do Bernardo vai chamar-se Martim. Todos ficaram muito contentes.
Chegou a hora semanal de prepararem o material a introduzir no blogue. Começam por fazer no quadro uma lista das actividades desta semana, para se organizarem em pequenos grupos e decidir o que cada grupo vai trabalhar no Magalhães.

Enquanto isso, quem tinha trazido Magalhães ia colocando-o em cima da mesa e preparando-se para dar início ao trabalho. A lista das actividades desta semana e a distribuição foi a seguinte:
- Final do Concurso das Tabuadas (entrega dos prémios) - Teresinha e Marta
- Biblioteca - "A Charada da Bicharada" - Marta e Mª João
- Jogo dos verbos - Sara, Renata; Tomás e Jorge
- O irmão do Lourenço (Matilde, Márcio)
- Distribuição dos "simles" - Maria, Francisco
- Apresentação da Ana - Ana; Carolina
Havia pelo menos um Magalhães por cada mesa, ou seja, 12 ou 13. Cada grupo escreveu um pequeno texto sobre a actividade que lhe tinha sido atribuída e alguns ainda tiveram tempo de fazer um desenho no "Paint". Ao terminarem os trabalhos a Professora ia copiando-os para uma "pen-drive", para depois em casa os colocar no blogue.

Fica aqui bem patente como um blogue de turma pode ser um "espelho" da sua vida, do seu trabalho - assumindo o papel do que há uns anos se fazia com os jornais de turma, dando de imediato uma utilidade social ao que se faz na sala de aula: mostra-se aos pais, aos colegas de outras turmas, a quem estiver interessado, ...
Foi assim que fui recebida em mais uma visita a uma das salas de aula por onde tenho passado. De facto da última vez que era para lá ter ido, precisei de levar o carro à oficina e tive que adiar a minha ida lá.
Estavam a acabar de recortar os Smiles que iam distribuir pelas turmas, integrando-se assim no Projecto Colaborativo «Spread your love». Recortavam, pintavam e escreviam por trás «Sejam feliz!».
Prepararam-se depois para ver uma apresentação (em Power Point) sobre a orientação solar, que uma das alunas tinha preparado em casa para mostrar aos colegas. Seguiu-se a observação de um vídeo, encontrado no Youtube, sobre a orientação solar, no qual se ensina como construir um relógio solar a partir dos pontos cardeais.
Acabaram, em seguida, de fazer uma ficha com gráficos, projectada no QI. Cada um completou a sua ficha, tendo-se seguido a correcção colectiva, no quadro. Desta vez no quadro de giz.
A grande novidade do dia foi quando chamaram a Professora ao telefone para lhe comunicar que o irmão do Bernardo (um menino que faltou), estava a nascer naquele preciso momento. O irmão do Bernardo vai chamar-se Martim. Todos ficaram muito contentes.
Chegou a hora semanal de prepararem o material a introduzir no blogue. Começam por fazer no quadro uma lista das actividades desta semana, para se organizarem em pequenos grupos e decidir o que cada grupo vai trabalhar no Magalhães.
Enquanto isso, quem tinha trazido Magalhães ia colocando-o em cima da mesa e preparando-se para dar início ao trabalho. A lista das actividades desta semana e a distribuição foi a seguinte:
- Final do Concurso das Tabuadas (entrega dos prémios) - Teresinha e Marta
- Biblioteca - "A Charada da Bicharada" - Marta e Mª João
- Jogo dos verbos - Sara, Renata; Tomás e Jorge
- O irmão do Lourenço (Matilde, Márcio)
- Distribuição dos "simles" - Maria, Francisco
- Apresentação da Ana - Ana; Carolina
Havia pelo menos um Magalhães por cada mesa, ou seja, 12 ou 13. Cada grupo escreveu um pequeno texto sobre a actividade que lhe tinha sido atribuída e alguns ainda tiveram tempo de fazer um desenho no "Paint". Ao terminarem os trabalhos a Professora ia copiando-os para uma "pen-drive", para depois em casa os colocar no blogue.
Fica aqui bem patente como um blogue de turma pode ser um "espelho" da sua vida, do seu trabalho - assumindo o papel do que há uns anos se fazia com os jornais de turma, dando de imediato uma utilidade social ao que se faz na sala de aula: mostra-se aos pais, aos colegas de outras turmas, a quem estiver interessado, ...
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Teatro, «A Menina do Mar», Balanço, ...
Mais um dia de visita às escolas. Entrei numa sala de aula e estavam todos a acabar de preencher um registo sobre as horas: a que horas me levanto? a que horas tomo o pequeno-almoço? a que horas chego à escola? a que horas começam as aulas? a que horas é o intervalo? a que horas vamos almoçar? a que horas acabam as aulas? a que horas vou para casa? a que horas janto? a que horas me vou deitar? ... Uma ficha dividida em quadradinhos, em cada quadradinho uma das perguntas e um relógio onde deveriam marcar a hora correspondente e, depois, fazer um desenho. Logo a seguir tinham que fazer um desenho e escrever uma frase sobre o que mais tinham gostado das actividades relativas ao projecto da Paz e do blogue, como lhes explicou a professora. Estavam todos entusiasmados e quando me viram entrar fizeram uma festa. Continuaram a trabalhar e lá me iam dizendo que o que mais tinham gostado tinha sido quando os pintei para o estudo dos dinossauros, para se mascararem de cientistas - o que aconteceu porque quando entrei na sala, apesar de estarem a preparar o estudo sobre os dinossauros, havia quem se estivesse a pintar com canetas de feltro. Propus-lhes então pintá-los com as minhas pinturas. Imaginam como foi naquele dia.

Na sala para onde me dirigi em seguida, a actividade principal era a do preenchimento de um guião para uma peça de teatro que querem fazer a partir da história d'«O Nabo Gigante». Escreviam os nomes de cada um no papel de cenário, à frente os nomes dos personagens, depois o local da história, as acçãoes, as falas, ... alguns iam conversando baixinho entre si, outros desenhando e eu fui tendo a ideia de fazer, em Origami, uma pomba. Uma pomba, símbolo da Paz, que lhes poderia ensinar. Comecei a fazer a experiência com papel de máquina. Claro que houve logo alguns que se foram aproximando e que queriam que eu lhes ensinasse a fazer ou que fizesse uma para eles. Surgiu assim a ideia de eu voltar cá à Escola um dia para lhes ensinar a fazer as pombas, com os naperons redondos para os tabuleiros de bolos. No final da sessão, antes de se irem embora, professora pediu-me para lhes mostrar o que tinha estado a fazer e ficou logo combinado o dia para voltar à Escola.
Fui a uma outra sala em que a professora propusera uma actividade de escrita a partir de um desenho, num parque, a pares. Cada aluno tinha diante de si uma fotocópia. Aproximei-me de um grupo de alunos que se encontrava cá atrás e fui ajudando na escrita, a prtir das observações que iam fazendo. Pareceram-me alunos com muitas dificuldades, no entanto fizeram observações muito pertinentes sobre, por exemplo, um menino que na imagem estava a andar de skate e que se poderia magoar facilmente por não ter capacete, nem joelheiras, nem cotoveleiras. Um dos alunos escrevia e com um pouco de ajuda desembaraçava-se muito bem na escrita. O outro ia fazendo a observação da figura e dando ideias para a escrita. Ao chegar a hora em que eu me ia embora, perguntaram se eu me ia embora sem os ouvir a ler o texto e quando eu lhes perguntei se me queriam lá, claro que responderam afirmativamente. Foi assim que ainda os fui ajudar na leitura perante a turma no que tinham acabado de escrever. Tiveram direito a palmas e tudo.
Na outra turma, quando entrei, cada um estava a acabar de desenhar a capa um livro sobre «A Menina do Mar». Estavam a fazer desenhos muito bonitos. A professora estava a acabar de ordenar os desenhos que cada um já tinha feito, em tamanho A5, bem como as diversas legendas. Ao acabarem a professora foi dando a cada um uma folha A4, para que cada um fosse desenhando um elemento da história, em tamanho maior: rochas, algas, peixes, o menino, a menina, o polvo, o caranguejo, ... para fazerem depois um painel. O entusiasmo à volta desta história é enorme.
Na sala para onde me dirigi em seguida, a actividade principal era a do preenchimento de um guião para uma peça de teatro que querem fazer a partir da história d'«O Nabo Gigante». Escreviam os nomes de cada um no papel de cenário, à frente os nomes dos personagens, depois o local da história, as acçãoes, as falas, ... alguns iam conversando baixinho entre si, outros desenhando e eu fui tendo a ideia de fazer, em Origami, uma pomba. Uma pomba, símbolo da Paz, que lhes poderia ensinar. Comecei a fazer a experiência com papel de máquina. Claro que houve logo alguns que se foram aproximando e que queriam que eu lhes ensinasse a fazer ou que fizesse uma para eles. Surgiu assim a ideia de eu voltar cá à Escola um dia para lhes ensinar a fazer as pombas, com os naperons redondos para os tabuleiros de bolos. No final da sessão, antes de se irem embora, professora pediu-me para lhes mostrar o que tinha estado a fazer e ficou logo combinado o dia para voltar à Escola.
Fui a uma outra sala em que a professora propusera uma actividade de escrita a partir de um desenho, num parque, a pares. Cada aluno tinha diante de si uma fotocópia. Aproximei-me de um grupo de alunos que se encontrava cá atrás e fui ajudando na escrita, a prtir das observações que iam fazendo. Pareceram-me alunos com muitas dificuldades, no entanto fizeram observações muito pertinentes sobre, por exemplo, um menino que na imagem estava a andar de skate e que se poderia magoar facilmente por não ter capacete, nem joelheiras, nem cotoveleiras. Um dos alunos escrevia e com um pouco de ajuda desembaraçava-se muito bem na escrita. O outro ia fazendo a observação da figura e dando ideias para a escrita. Ao chegar a hora em que eu me ia embora, perguntaram se eu me ia embora sem os ouvir a ler o texto e quando eu lhes perguntei se me queriam lá, claro que responderam afirmativamente. Foi assim que ainda os fui ajudar na leitura perante a turma no que tinham acabado de escrever. Tiveram direito a palmas e tudo.
Na outra turma, quando entrei, cada um estava a acabar de desenhar a capa um livro sobre «A Menina do Mar». Estavam a fazer desenhos muito bonitos. A professora estava a acabar de ordenar os desenhos que cada um já tinha feito, em tamanho A5, bem como as diversas legendas. Ao acabarem a professora foi dando a cada um uma folha A4, para que cada um fosse desenhando um elemento da história, em tamanho maior: rochas, algas, peixes, o menino, a menina, o polvo, o caranguejo, ... para fazerem depois um painel. O entusiasmo à volta desta história é enorme.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Projectos, trabalho, diversão e integração
Na sala do Jardim Infantil, à medida que os meninos iam chegando à sala, iam instalando-se nas mesas a realizar a actividade que desejavam. Comecei por me sentar ao lado de um menino que estava a fazer puzzles e fui ajudando. Em pouco tempo estava a ser "adoptada" por uma menina para me sentar com ela a jogar dominó. Pouco depois já éramos cinco a jogar dominó. Era preciso contar as peças que cada um recebia no início, ir jogando na sua vez, ir percebendo em que sentido rodava a vez e saber esperar pela sua. Jogámos ainda umas duas ou três vezes. Logo foi preciso arrumar para que pudessem ir lanchar - o que não foi feito sem que primeiro fossem lavar as mãos.
Numa sala do 2º ano de escolaridade, estavam a recortar "Smiles", a pintar, a desenhar a boca e a escrever do outro lado: "Seja feliz!" Cada um recortou 12 smiles - o que também foi aproveitado pela professora para clacularem quantos "Smiles" a turma tinha recortado ao todo. Aos alunos do 1º ano ia caber pintar os olhos em cada
"Smile". Depois, cada um dos meninos vai colocar um "Smile" nas caixas do correio dos seus vizinhos. Esta actividade colaborativa entre turmas foi proposta por uma das professoras que teve conhecimento do Projecto internacional «Spread your Love».
O programa previsto para a tarde foi desmarcado: ir com duas turmas a uma feira de jogos tradicionais, organizada pela Câmara Municipal. O tempo estava de chuva e vento, pelo que actividades ao ar livre estavam completamente desaconselhadas.
Foi necessário improvisar alternativas convincentes que ajudassem a lidar com a frustração de não ir à feira dos jogos. O livro digital "A Charada da Bicharada" foi a solução. Mostrado a uma das turmas os alunos ficaram todos entusiasmados para desenharem mais bichos escondidos e descobrirem aqueles que já tinham sido desenhados por outros meninos, em http://eb1fontedaprata.blogspot.com/2010/05/quem-tem-olhinho.html.
Seguiram-se alguns jogos no pátio da Escola com a outra turma - afinal o sol acabou por aparecer. Claro que não foi o mesmo que ir à feira dos jogos, mas que foi divertido na mesma, foi.
Numa sala do 2º ano de escolaridade, estavam a recortar "Smiles", a pintar, a desenhar a boca e a escrever do outro lado: "Seja feliz!" Cada um recortou 12 smiles - o que também foi aproveitado pela professora para clacularem quantos "Smiles" a turma tinha recortado ao todo. Aos alunos do 1º ano ia caber pintar os olhos em cada
"Smile". Depois, cada um dos meninos vai colocar um "Smile" nas caixas do correio dos seus vizinhos. Esta actividade colaborativa entre turmas foi proposta por uma das professoras que teve conhecimento do Projecto internacional «Spread your Love».
O programa previsto para a tarde foi desmarcado: ir com duas turmas a uma feira de jogos tradicionais, organizada pela Câmara Municipal. O tempo estava de chuva e vento, pelo que actividades ao ar livre estavam completamente desaconselhadas.
Foi necessário improvisar alternativas convincentes que ajudassem a lidar com a frustração de não ir à feira dos jogos. O livro digital "A Charada da Bicharada" foi a solução. Mostrado a uma das turmas os alunos ficaram todos entusiasmados para desenharem mais bichos escondidos e descobrirem aqueles que já tinham sido desenhados por outros meninos, em http://eb1fontedaprata.blogspot.com/2010/05/quem-tem-olhinho.html.
Seguiram-se alguns jogos no pátio da Escola com a outra turma - afinal o sol acabou por aparecer. Claro que não foi o mesmo que ir à feira dos jogos, mas que foi divertido na mesma, foi.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
«Não desistir!»
Ao entrar nesta sala de aula os alunos acabavam uma ficha do livro de Língua Portuguesa. Logo de seguida a minha amiga professora propôs-lhes um dos jogos de escrita criativa que aprenderamos na formação para a escrita de "histórias malucas". Cada um respondeu a uma das seguintes questões: 1) Quem foi? 2) Encontrou quem? 3) Onde foram? 4) O que fizeram? 5) Como acabou a história? - cada um tinha recebido um papelinho já numerado onde escreveu a resposta à respectiva questão. Depois de cada um ter dado a sua resposta, recolheram-se os papelinhos e ordenaram-se segundo a numeração acima indicada. Ficaram assim construídas histórias disparatadas e bem engraçadas. Simultaneamente fui registando as histórias que surgiram e logo as enviei para a minha amiga professora. Seguiu-se o momento de arrumações da sala antes de tocar e depressa estava rodeada de alguns alunos mais curiosos que queriam conhecer o meu computador e que lhes mostrasse quais os programas que costumo utilizar. Passámos juntos um agradável momento de cumplicidade mesmo com meninos que têm enormes dificuldades em se exprimir oralmente, mas que conhecem quase tudo sobre o modo como funciona um computador.
Quando se trabalha como uma professora num meio social difícil, uma professora que acredita que todos os alunos conseguem aprender, apesar de todas as suas dificuldades, tudo ganha um sabor especial. Nesta sala de aula não se desiste dos alunos nem se desiste de investir na Escola.
Foi esta professora que teve a ideia de criar um blogue, proposto no âmbito desta formação, a toda a Escola, para deixar de ser apenas um blogue da sua turma. Ela conta que quando foi colocada na Escola não encontrou nenhuma informação na Internet sobre aquela Escola e assim, com um blogue de escola, já não vai acontecer a mesma coisa a outras colegas que sejam ali colocados.
Partilhando comigo os seus afazeres familiares e os cuidados de saúde de que vai necessitando [numa cumplicidade de amigas em que nos fomos tornando], nesta fase final da formação, precisa de perceber muito bem em que actividades se deve concentrar com os seus alunos. Tem muitas ideias e gostaria muito de colaborar em diversas propostas feitas pelas outras colegas relativamente aos projectos colaborativos, mas sente que não pode chegar a todo o lado.
Quando comentava com ela que as colegas da Escola, incluindo as do Pré-escolar, têm continuado a actualizar e alimentar o blogue ela respondeu-me: «Elas mostraram-se muito interessadas logo desde o início porque diziam que estavam a contribuir para os bons resultados da minha formação.»
Quando se trabalha como uma professora num meio social difícil, uma professora que acredita que todos os alunos conseguem aprender, apesar de todas as suas dificuldades, tudo ganha um sabor especial. Nesta sala de aula não se desiste dos alunos nem se desiste de investir na Escola.
Foi esta professora que teve a ideia de criar um blogue, proposto no âmbito desta formação, a toda a Escola, para deixar de ser apenas um blogue da sua turma. Ela conta que quando foi colocada na Escola não encontrou nenhuma informação na Internet sobre aquela Escola e assim, com um blogue de escola, já não vai acontecer a mesma coisa a outras colegas que sejam ali colocados.
Partilhando comigo os seus afazeres familiares e os cuidados de saúde de que vai necessitando [numa cumplicidade de amigas em que nos fomos tornando], nesta fase final da formação, precisa de perceber muito bem em que actividades se deve concentrar com os seus alunos. Tem muitas ideias e gostaria muito de colaborar em diversas propostas feitas pelas outras colegas relativamente aos projectos colaborativos, mas sente que não pode chegar a todo o lado.
Quando comentava com ela que as colegas da Escola, incluindo as do Pré-escolar, têm continuado a actualizar e alimentar o blogue ela respondeu-me: «Elas mostraram-se muito interessadas logo desde o início porque diziam que estavam a contribuir para os bons resultados da minha formação.»
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Que "aromas" transportamos connosco?
Chegar a uma sala de aula e ver os alunos a fazer uma ficha de interpretação sobre "A Menina do Mar" de Sofia, traz-me à memória as inúmeras tardes passadas em casa dos meus avós a ouvir esta história narrada pela Eunice Muñoz. Já tinha 5 anos e quase sabia toda a história de cor. Ao ler partes da história os cheiros de então vieram agarrar-se novamente ao meu corpo, como que se impregnando em mim. Hoje são as fichas de interpretação, os vários exemplares do livro nas mesas da sala de aula, os alunos a completarem a ficha, a procurarem no livro as frases para as quais remete a ficha. Interrogo-me em silêncio sobre que cheiros ficarão agarrado aos seus corpos ... Estes pensamentos são interrompidos pela professora que aproveita para me mostrar os magníficos desenhos que eles têm feito sobre as diversas partes da história ... lindos desenhos repletos de cor e inesquecíveis aromas! … tal como os diversos aromas que atravessam as nossas vidas, sobre os quais aproveitamos para trocar algumas “dicas” entre mulheres professoras.
Depois do almoço entro numa sala em que os “cheiros” recordados são os ciclos das estações do ano: o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. As figuras do livro de Estudo do Meio são o pretexto para a conversa sobre os estados do tempo em cada uma dessas épocas do ano que se repetem, com aromas renovados, a cada ano. Segue-se um desenho numa folha A4 dos quatro aromas cíclicos que os alunos já tão bem conhecem.
Na sala seguinte , quando entro sento-me logo na roda para me integrar num jogo sobre nomes de animais da quinta que tivessem visto no Jardim Zoológico. Há uma almofada que vai atravessando a roda e quem a recebe, antes de a atirar para o companheiro seguinte tem que dizer um nome de animal da quinta. Apesar de se tratar de gente bem pequena, as regras são muito bem seguidas e respeitadas. Passamos depois aos animais selvagens. São imensos os animais que conhecem e igualmente imensas as vezes que a almofada vai atravessando a roda. Todos participam. Passamos depois ao “jogo do segredo”: e a concentração para perceberem bem o que diz o vizinho? Imensa. A frase chega quase sempre igual ao fim. Segue-se para terminar o “jogo da corrente eléctrica”: tudo muito concentrado de novo e quem está no meio tem mesmo dificuldade em descobrir onde vai a corrente. Que experiência maravilhosa foi esta oportunidade.
Tudo isto aconteceu no dia 6/05/2010. O resto fica para a próxima visita.
Depois do almoço entro numa sala em que os “cheiros” recordados são os ciclos das estações do ano: o Inverno, a Primavera, o Verão e o Outono. As figuras do livro de Estudo do Meio são o pretexto para a conversa sobre os estados do tempo em cada uma dessas épocas do ano que se repetem, com aromas renovados, a cada ano. Segue-se um desenho numa folha A4 dos quatro aromas cíclicos que os alunos já tão bem conhecem.
Na sala seguinte , quando entro sento-me logo na roda para me integrar num jogo sobre nomes de animais da quinta que tivessem visto no Jardim Zoológico. Há uma almofada que vai atravessando a roda e quem a recebe, antes de a atirar para o companheiro seguinte tem que dizer um nome de animal da quinta. Apesar de se tratar de gente bem pequena, as regras são muito bem seguidas e respeitadas. Passamos depois aos animais selvagens. São imensos os animais que conhecem e igualmente imensas as vezes que a almofada vai atravessando a roda. Todos participam. Passamos depois ao “jogo do segredo”: e a concentração para perceberem bem o que diz o vizinho? Imensa. A frase chega quase sempre igual ao fim. Segue-se para terminar o “jogo da corrente eléctrica”: tudo muito concentrado de novo e quem está no meio tem mesmo dificuldade em descobrir onde vai a corrente. Que experiência maravilhosa foi esta oportunidade.
Tudo isto aconteceu no dia 6/05/2010. O resto fica para a próxima visita.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Modelo Pedagógico do MEM - Sessão com professores, alunos e pais

Na semana passada aconteceu finalmente num dos Agrupamentos com que estou a trabalhar a sessão que tinham pedido desde o início do ano sobre o modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna (MEM). Fiz a preparação dessa sessão com a minha amiga que se identifica com esse modelo de trabalho pedagógico e que lá trabalha. Acordámos que eu falaria mais sobre a história e os antecedentes do MEM e ela explicitaria o trabalho que tem feito com a sua turma, a partir da organização espacial da sala de aula e da forma como organiza o tempo. Depois deste acordo estabelecido e já à entrada para o carro, diz-me ela: «E se eu pedisse aos meus alunos para serem eles a explicar como é que o espaço está organizado?». Achei logo uma excelente ideia, mas estávamos a dois dias da sessão. Também ficou combinado de imediato que não haveria problema quanto à sequência da sessão: caso os alunos tivessem disponibilidade para estarem presentes, o melhor seria mudar a ordem da apresentação, primeiro eles explicariam a forma como se organizam e trabalham e depois então falaríamos da história e origens do MEM.
Quando no próprio dia cheguei à Escola era grande a excitação: os alunos iam estar presentes, as mães também queriam assistir. Tínhamos preparado bolinhos e sumos para que a sessão fosse mais familiar e informal. Os colegas professores começaram a chegar. Faltava só a professora, a minha amiga, para dar início à reunião. Ela chegou e demos início à tão desejada sessão.
A professora começou por explicitar como iria decorrer a sessão e os seus alunos começaram logo de imediato a explicar como organizavam o tempo e o que faziam em cada um dos momentos semanais dedicado às respectivas actividades. Passaram depois a explicar a forma como estava organizada a sala. Os alunos do 1.º ano faziam questão de ir lendo tudo o que iam encontrando - queriam mesmo mostrar que já sabem ler tudo. Os alunos do 4.º ano faziam de "ponto" para os do 1º e explicaram também como, por exemplo, a professora tinha visto com eles quais os temas que tinham ainda que trabalhar nos projectos para aprenderem e conhecerem todas as temáticas que estão previstas no programa. Tudo decorreu com uma grande naturalidade e à vontade.
Chegara finalmente a parte final e mais teórica sobre o MEM. Apesar de a minha amiga ter dito que se os pais quisessem sair que o poderiam fazer, todos (ou melhor todas, porque eram sobretudo mães) quiseram ficar. E aí fiquei um pouco aflita, porque uma coisa é falar para professores, outra coisa é falar para pais e meninos. Lá me desembaracei o melhor que consegui, tentando traduzir as ideias essenciais numa linguagem que todos percebessem. De modo completamente espontâneo e imprevisto, no final houve algumas mães que quiseram dar o seu testemunho sobre os percursos de aprendizagem dos seus filhos: «Este meu filho tem muito mais gosto pela Escola do que a outra minha filha que se fartava de fazer linhas de "t" e de "f". Aqui não, parece que tudo tem mais sentido para eles. Eles aprendem com gosto.» «Eu estou muito contente porque os nossos filhos já tinham estado numa escola da Misericórdia que tem a mesma forma de trabalhar e assim eles continuam a aprender segundo a mesma metodologia. Não têm tido dificuldades absolutamente nenhumas, aprendem, gostam de aprender e andam contentes. É pena é que não possam continuar para o próximo ano.» «O meu filho é um desses meninos e eu também estou muito contente.»
Com os colegas, depois dos alunos e de as mães terem saído, as questões já foram de outra natureza: «A mim faz-me muita confusão que eles não aprendam pelo "p" + "a" = "pá" ... mas afinal como é que eles aprendem a ler?» «Quando é que lhes ensinam as letras?» «Eles [alunos] de facto dominam isto tudo.»
Algumas das respostas:
- eles começam logo a ler, mesmo que seja de cor, e a familiarizar-se com a sílabas e as letras - o abecedário está exposto na sala desde o início do ano; fazem listas de palavras que têm a mesma sílaba e isso vai sendo sempre trabalhado; o manancial de palavras que eles conhecem vai sempre aumentando e começam logo a fazer tentativas de escrita;
- construímos assim o livro de leitura com eles a partir as novidades que nos vão contando no «Ler, contar e mostrar»;
- no MEM as pessoas não começam a mudar a sua forma de trabalhar sozinhas, devem ser acompanhadas e devem estar integradas em grupos de auto-formação, porque esta forma de trabalhar significa uma grande mudança;
- talvez para o ano se possa constituir aqui , neste concelho, um grupo para fazer uma Oficina de Iniciação ao Modelo do Movimento da Escola Moderna.
Para saber mais sobre o Movimento da Escola Moderna: http://www.movimentoescolamoderna.pt/;
o MEM no 1º CEB - http://www.movimentoescolamoderna.pt/documentos_ilustrativos/1ciclo/indice-1ciclo.htm
terça-feira, 4 de maio de 2010
Trabalhar com o "coração" ...
Ontem tive a sorte de ir visitar mais uma amiga minha. Quando nos juntamos fico sempre surpreendida com ela.
Ela ouviu falar da minha intenção de projecto, em situação académica, quando fiz a apresentação pública do meu projecto e o defendi perante o júri de professores universitários. Perante dúvidas sobre a sua implementação e sobre a indefinição de estratégias que então tinha sobre o seu desenvolvimento ela, mesmo naquele contexto, manifestou logo o seu interesse em colaborar e em associar-se.
Para essa fase do meu trabalho, a minha maior preocupação tinha mesmo sido a sua fundamentação teórica, uma vez que a questão da implementação, não se me apresentava como uma dificuldade, mas como um conjunto de processos a serem reflectidos e levados à prática. Para mim é também importante perceber a ressonância que este tipo de trabalho tem junto dos professores.
Uma das coisas que queria acertar com ela eram os relatos que ela me tem enviado e, como são da sua autoria, eu não queria publicar sem estar segura do que estava a fazer. A sua forma de escrita distingue-se completamente da forma de escrita dos restantes participantes neste projecto o que para mim tem sido um desafio [uma fonte de questionamento] e por isso merece todo o meu cuidado - http://pazvalorescidadania.webnode.com/news/relato%202%20%C2%ABas%20ideias%20s%C3%A3o%20como%20as%20cerejas%20%E2%80%A6%C2%BB/
Ela está sempre a lembrar-me: «Neste projecto não consigo estar de outra forma, escrevo com o coração. Foi com o coração que aderi desde a primeira hora que te ouvi falar nele.»
Ao conversar ontem com ela, voltou a recordar-me: «O meu entusiasmo com o teu projecto foi muito grande desde o início, porque a questão dos valores foi sempre muito importante para mim. A primeira vez que ouvi falar nela foi ao Dr. Manuel Patrício, da Escola Cultural. Mas este tipo de projectos não se pode impor: as pessoas ou aderem livremente, ou não. Foi por isso que fui conversado com as colegas e parece que tudo foi acontecendo de uma forma tão natural. Parece até que elas já estavam a fazer muitas coisas que têm a ver com este projecto.»
Parece que apenas vamos tecendo esta rede de contactos ... houve mesmo quem descobrisse uma história de uma teia de aranha e de várias teias que se vão ligando entre si.
Aqui podem encontrar todo este trabalho de que vos falo ... «Paz, valores e cidadania»: http://pazvalorescidadania.webnode.com/
Este tem sido um entusiasmo contagiante e muito estimulante para o desenvolvimento do meu trabalho. Um agradecimento muito especial, para ti, minha Amiga!
Ela ouviu falar da minha intenção de projecto, em situação académica, quando fiz a apresentação pública do meu projecto e o defendi perante o júri de professores universitários. Perante dúvidas sobre a sua implementação e sobre a indefinição de estratégias que então tinha sobre o seu desenvolvimento ela, mesmo naquele contexto, manifestou logo o seu interesse em colaborar e em associar-se.
Para essa fase do meu trabalho, a minha maior preocupação tinha mesmo sido a sua fundamentação teórica, uma vez que a questão da implementação, não se me apresentava como uma dificuldade, mas como um conjunto de processos a serem reflectidos e levados à prática. Para mim é também importante perceber a ressonância que este tipo de trabalho tem junto dos professores.
Uma das coisas que queria acertar com ela eram os relatos que ela me tem enviado e, como são da sua autoria, eu não queria publicar sem estar segura do que estava a fazer. A sua forma de escrita distingue-se completamente da forma de escrita dos restantes participantes neste projecto o que para mim tem sido um desafio [uma fonte de questionamento] e por isso merece todo o meu cuidado - http://pazvalorescidadania.webnode.com/news/relato%202%20%C2%ABas%20ideias%20s%C3%A3o%20como%20as%20cerejas%20%E2%80%A6%C2%BB/
Ela está sempre a lembrar-me: «Neste projecto não consigo estar de outra forma, escrevo com o coração. Foi com o coração que aderi desde a primeira hora que te ouvi falar nele.»
Ao conversar ontem com ela, voltou a recordar-me: «O meu entusiasmo com o teu projecto foi muito grande desde o início, porque a questão dos valores foi sempre muito importante para mim. A primeira vez que ouvi falar nela foi ao Dr. Manuel Patrício, da Escola Cultural. Mas este tipo de projectos não se pode impor: as pessoas ou aderem livremente, ou não. Foi por isso que fui conversado com as colegas e parece que tudo foi acontecendo de uma forma tão natural. Parece até que elas já estavam a fazer muitas coisas que têm a ver com este projecto.»
Parece que apenas vamos tecendo esta rede de contactos ... houve mesmo quem descobrisse uma história de uma teia de aranha e de várias teias que se vão ligando entre si.
Aqui podem encontrar todo este trabalho de que vos falo ... «Paz, valores e cidadania»: http://pazvalorescidadania.webnode.com/
Este tem sido um entusiasmo contagiante e muito estimulante para o desenvolvimento do meu trabalho. Um agradecimento muito especial, para ti, minha Amiga!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
No que dá uma surpresa ... :-)
Ontem estive numa outra sala de aula, de uma professora e de uns meninos que já se tornaram meus amigos. Tinha-lhes prometido que da próxima vez que lá fosse lhes levava uma surpresa. E assim fiz. Procurei um livro digital que os pudesse entusiasmar.
Esta foi a minha segunda opção, porque em primeiro lugar pensei que seria interessante levar-lhe algo sobre o 25 de Abril, mas pus-me a pensar no que tinha sido o 25 de Abril para mim, (há quantos anos já?) e nos difíceis tempos que estamos a viver... Lembrei-me de como muitos daquelas famílias vivem com tantas dificuldades, sem emprego, sem dinheiro para conseguirem alimentar-se convenientemente todos os dias, 12 pessoas a viverem a 2 assoalhadas, ... e tudo o mais que isso significa. Como falar da tortura a crianças que vivem sózinhas na rua e cujas famílias vivem num quotidiano completamente inóspito, à procura de trabalho e pão? ... e a liberdade de associação? ... quando, em muitos trabalhos, quando existem, quase que em regime de escravatura, ou se aceitam as condições dadas, ou nem esse rendimento entra para o orçamento familiar? ... Na 2ª feira tinha lido o artigo de opinião do Francisco Sarsfield Cabral no PÚBLICO - http://abeirario.blogspot.com/2010/04/bomba-relogio-do-capitalismo-francisco.html. Hoje acabei de ler a reportagem da Visão da semana passada sobre os «Retratos da Fome em Portugal» - http://aeiou.visao.pt/retratos-da-fome-em-portugal=f555211 ... e saltaram-me logo à memória as minhas questões de ontem: como falar da liberdade de expressão, da tortura, da guerra colonial, da liberdade de associação num cenário como o que vivemos actualmente? ... Ficam as minhas questões ...e começo a pensar que temos que voltar a falar de todas estas questões, mas de uma outra forma ... mas de que forma?
Fecho este parênteses, para dizer que não tendo muito tempo para me preparar, acabei por decidir levar-lhes uma história que encontrei no blog «Letra Pequena» - http://letrapequenaonline.blogspot.com/ - «A Charada da Bicharada», de Alice Vieira, ilustrado pela Madalena Matoso (Ed. Texto Editores). No entanto, antes de lhes mostrar a prometida surpresa, e como a minha amiga tem vindo a colocar os textos e as fotos no blog a partir de casa (não tem computador na sala de aula e muito menos ligação à Internet), ela pediu-me para lhes mostrar o blog da Escola. Foi por proposta dela que ele foi construído e que outras turmas têm estado a participar no mesmo de forma muito entusiástica. Não se pode imaginar o entusiasmo dos seus alunos e a vontade generalizada de ler em voz alta, para todos ouvirmos, um bocadinho do que lá estava. Claro que foi preciso dar a volta à turma para que cada um pudesse mostrar como já conseguia ler um pedacinho do blog. Houve direito a palmas e parabéns para todos os leitores. Outra festa aconteceu também ao encontrarem as fotos e uma apresentação lá colocada pela professora, com os trabalhos deles, e que eles ainda ainda não tinham visto.
Só depois pudemos passar à esperada "surpresa": ouvir a história d'«A charada da bicharad» - http://static.publico.clix.pt/fotogalerias/letrapequena/acharadadabicharada.aspx. Uma espécie de adivinhas sobre animais, de que os textos não falam, nem se conseguem descortinar, à primeira, nas alegres e fantásticas ilustrações da Madalena Matoso - http://www.slideshare.net/mrvpimenta/publica-madalena-matoso-presentation. Ouvimos uma vez: «Não percebi nada!» «Então vamos ouvir outra vez, um de cada vez!» E logo havia alguém mais perspicaz que depressa descobria de que bicho se estava a falar: ou pelo desenho, ou pelo que se ouvia da Alice Vieira.
A minha amiga teve a ideia de lhes pedir para fazerem desenhos com bichos escondidos, como os do livro, e pediu-lhes também para escreverem um pequeno texto, inspirado nas ideias da escrita criativa que ouvira no Sábado anterior: «Gostava de ser ...[um animal à escolha] ..., para ...»
Tal como acontece com o que se passa à nossa volta, quase nada se consegue logo perceber à primeira ... acontecimentos, pessoas ... muitas vezes nem nós próprios nos conseguimos perceber logo a nós próprios ...
... não será o mesmo com o 25 de Abril? ... com o que ainda falta cumprir desse sonho, dessa esperança? ... e tanto que há ainda por cumprir!! ...
[Actualizado a 25/04/2010]
Esta foi a minha segunda opção, porque em primeiro lugar pensei que seria interessante levar-lhe algo sobre o 25 de Abril, mas pus-me a pensar no que tinha sido o 25 de Abril para mim, (há quantos anos já?) e nos difíceis tempos que estamos a viver... Lembrei-me de como muitos daquelas famílias vivem com tantas dificuldades, sem emprego, sem dinheiro para conseguirem alimentar-se convenientemente todos os dias, 12 pessoas a viverem a 2 assoalhadas, ... e tudo o mais que isso significa. Como falar da tortura a crianças que vivem sózinhas na rua e cujas famílias vivem num quotidiano completamente inóspito, à procura de trabalho e pão? ... e a liberdade de associação? ... quando, em muitos trabalhos, quando existem, quase que em regime de escravatura, ou se aceitam as condições dadas, ou nem esse rendimento entra para o orçamento familiar? ... Na 2ª feira tinha lido o artigo de opinião do Francisco Sarsfield Cabral no PÚBLICO - http://abeirario.blogspot.com/2010/04/bomba-relogio-do-capitalismo-francisco.html. Hoje acabei de ler a reportagem da Visão da semana passada sobre os «Retratos da Fome em Portugal» - http://aeiou.visao.pt/retratos-da-fome-em-portugal=f555211 ... e saltaram-me logo à memória as minhas questões de ontem: como falar da liberdade de expressão, da tortura, da guerra colonial, da liberdade de associação num cenário como o que vivemos actualmente? ... Ficam as minhas questões ...e começo a pensar que temos que voltar a falar de todas estas questões, mas de uma outra forma ... mas de que forma?
Fecho este parênteses, para dizer que não tendo muito tempo para me preparar, acabei por decidir levar-lhes uma história que encontrei no blog «Letra Pequena» - http://letrapequenaonline.blogspot.com/ - «A Charada da Bicharada», de Alice Vieira, ilustrado pela Madalena Matoso (Ed. Texto Editores). No entanto, antes de lhes mostrar a prometida surpresa, e como a minha amiga tem vindo a colocar os textos e as fotos no blog a partir de casa (não tem computador na sala de aula e muito menos ligação à Internet), ela pediu-me para lhes mostrar o blog da Escola. Foi por proposta dela que ele foi construído e que outras turmas têm estado a participar no mesmo de forma muito entusiástica. Não se pode imaginar o entusiasmo dos seus alunos e a vontade generalizada de ler em voz alta, para todos ouvirmos, um bocadinho do que lá estava. Claro que foi preciso dar a volta à turma para que cada um pudesse mostrar como já conseguia ler um pedacinho do blog. Houve direito a palmas e parabéns para todos os leitores. Outra festa aconteceu também ao encontrarem as fotos e uma apresentação lá colocada pela professora, com os trabalhos deles, e que eles ainda ainda não tinham visto.
Só depois pudemos passar à esperada "surpresa": ouvir a história d'«A charada da bicharad» - http://static.publico.clix.pt/fotogalerias/letrapequena/acharadadabicharada.aspx. Uma espécie de adivinhas sobre animais, de que os textos não falam, nem se conseguem descortinar, à primeira, nas alegres e fantásticas ilustrações da Madalena Matoso - http://www.slideshare.net/mrvpimenta/publica-madalena-matoso-presentation. Ouvimos uma vez: «Não percebi nada!» «Então vamos ouvir outra vez, um de cada vez!» E logo havia alguém mais perspicaz que depressa descobria de que bicho se estava a falar: ou pelo desenho, ou pelo que se ouvia da Alice Vieira.
A minha amiga teve a ideia de lhes pedir para fazerem desenhos com bichos escondidos, como os do livro, e pediu-lhes também para escreverem um pequeno texto, inspirado nas ideias da escrita criativa que ouvira no Sábado anterior: «Gostava de ser ...[um animal à escolha] ..., para ...»
Tal como acontece com o que se passa à nossa volta, quase nada se consegue logo perceber à primeira ... acontecimentos, pessoas ... muitas vezes nem nós próprios nos conseguimos perceber logo a nós próprios ...
... não será o mesmo com o 25 de Abril? ... com o que ainda falta cumprir desse sonho, dessa esperança? ... e tanto que há ainda por cumprir!! ...
[Actualizado a 25/04/2010]
terça-feira, 20 de abril de 2010
«O Pássaro da Alma»
Entrei numa sala de aula ao som de uma suave música que saía tranquilamente da aparelhagem enquanto as crianças, sem grande excitação, saiam para 15 minutos de recreio num pátio aquecido pelo morno sol de Primavera.
A professora, minha amiga, saúda-me e diz-me, como que desculpando-se, que não tinha preparado nada de especial para a minha visita e que os seus alunos iam ler a história do «Pássaro da Alma» para as turmas do 1º ano da Escola. Foi ao que assisti. Foi uma actividade muito especial. Quer pelos alunos mais velhos a lerem para os mais novos, por darem um novo sentido à leitura em voz alta, por quererem partilhar uma história deste tipo com todas as turmas da Escola.
Esta história passou hoje a ter para mim um significado diferente. No nosso corpo, bem lá no fundo vive um pássaro, o pássaro da alma. Um pássaro a quem muitas vezes não damos ouvidos, nem escutamos como devíamos. Ele canta de acordo com o que sentimos no momento, alegrias, tristezas, medos, ansiedades, felicidades, silêncios, ... tudo o que nos vai na alma. Muitas vezes não o conseguimos controlar ou saber como vai cantar, umas vezes o seu canto é alegre e feliz. Outras vezes é um canto enamorado e amoroso, outras é um canto de revolta e raiva, mas outras pode também ser um canto de tristeza, amargura ou desespero.
Mas quantas vezes não temos disponibilidade para o ouvir, para lhe dar a voz que ele merece e que nós precisamos. Quantas vezes, nesta sociedade da objectividade e do concreto em que vivemos, temos medo que ele nos atrapalhe. Outras vezes sufocamos-lhe o canto, que ele vai guardando para si e, quando menos esperamos, num repente, num abrir e fechar de olhos, ele faz-se ouvir impulsiva e despropositadamente. Como se os segredos que durante longos anos estiveram abafados e escondidos, bem como todos os sentimentos a eles associados, saltassem de uma caixa mágica, tipo caixa de pandora, surpreendendo o próprio e todos os que estão à sua volta, assustando tudo e todos.
Temos um pássaro na alma para lhe ouvirmos o seu canto. E que bonito é esse canto, se o ouvirmos, seja ele alegre ou triste, feliz ou inquieto, ...
A professora, minha amiga, saúda-me e diz-me, como que desculpando-se, que não tinha preparado nada de especial para a minha visita e que os seus alunos iam ler a história do «Pássaro da Alma» para as turmas do 1º ano da Escola. Foi ao que assisti. Foi uma actividade muito especial. Quer pelos alunos mais velhos a lerem para os mais novos, por darem um novo sentido à leitura em voz alta, por quererem partilhar uma história deste tipo com todas as turmas da Escola.
Esta história passou hoje a ter para mim um significado diferente. No nosso corpo, bem lá no fundo vive um pássaro, o pássaro da alma. Um pássaro a quem muitas vezes não damos ouvidos, nem escutamos como devíamos. Ele canta de acordo com o que sentimos no momento, alegrias, tristezas, medos, ansiedades, felicidades, silêncios, ... tudo o que nos vai na alma. Muitas vezes não o conseguimos controlar ou saber como vai cantar, umas vezes o seu canto é alegre e feliz. Outras vezes é um canto enamorado e amoroso, outras é um canto de revolta e raiva, mas outras pode também ser um canto de tristeza, amargura ou desespero.
Mas quantas vezes não temos disponibilidade para o ouvir, para lhe dar a voz que ele merece e que nós precisamos. Quantas vezes, nesta sociedade da objectividade e do concreto em que vivemos, temos medo que ele nos atrapalhe. Outras vezes sufocamos-lhe o canto, que ele vai guardando para si e, quando menos esperamos, num repente, num abrir e fechar de olhos, ele faz-se ouvir impulsiva e despropositadamente. Como se os segredos que durante longos anos estiveram abafados e escondidos, bem como todos os sentimentos a eles associados, saltassem de uma caixa mágica, tipo caixa de pandora, surpreendendo o próprio e todos os que estão à sua volta, assustando tudo e todos.
Temos um pássaro na alma para lhe ouvirmos o seu canto. E que bonito é esse canto, se o ouvirmos, seja ele alegre ou triste, feliz ou inquieto, ...
O pássaro da alma
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
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